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Marte ainda pode ter vulcões ativos? Gás detectado intriga cientistas

Sonda detectou um gás associado a erupções vulcânicas na Terra; pesquisadores investigam sinais de atividade no interior do planeta vermelho

Marte: cloreto de hidrogênio foi detectado sobre fissuras na região de Alba Mons (Freepik)

Marte: cloreto de hidrogênio foi detectado sobre fissuras na região de Alba Mons (Freepik)

Publicado em 5 de novembro de 2026 às 15h56.

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Uma descoberta na atmosfera de Marte indica que o planeta pode apresentar atividade vulcânica mesmo após milhões de anos. Cientistas detectaram cloreto de hidrogênio sobre fissuras na superfície de um antigo vulcão, levantando a possibilidade de que gases estejam escapando do interior marciano.

O gás foi identificado pela sonda ExoMars Trace Gas Orbiter, na região de Alba Mons, o maior vulcão de Marte em área de superfície, localizado no hemisfério norte. Os resultados foram publicados na última quarta-feira, 4, na revista científica Science Advances.

Embora a descoberta não confirme a existência de vulcões ativos atualmente, os pesquisadores consideram que a liberação de gases magmáticos é a explicação mais provável para as observações.

O que a descoberta revela sobre os vulcões de Marte?

O cloreto de hidrogênio é um gás encontrado nas emissões vulcânicas terrestres. Sua presença na atmosfera marciana pode indicar processos semelhantes. Segundo Daniel Mège, cientista planetário do Centro de Pesquisas Espaciais da Academia Polonesa de Ciências e da Universidade de Berna, a hipótese mais provável é que o gás tenha origem vulcânica.

Os pesquisadores suspeitam que a substância esteja escapando por conjuntos de fissuras na superfície de Alba Mons, possivelmente conectados a uma câmara magmática subterrânea. O processo pode ocorrer quando o magma sobe em direção à superfície. Com a redução da pressão, compostos que contêm cloro liberam cloreto de hidrogênio.

De acordo com Alexander Trokhimovskiy, do Instituto de Pesquisas Espaciais da Academia Russa de Ciências, esse mecanismo é compatível com a presença do gás detectado pela sonda.

Se a hipótese for confirmada, Marte poderá ser considerado um planeta em estado de relativa dormência vulcânica, e não completamente inativo em seu interior.

Como os cientistas identificaram o gás?

A ExoMars Trace Gas Orbiter, missão desenvolvida pela Agência Espacial Europeia (ESA) em colaboração com a agência russa Roscosmos, monitora substâncias presentes em pequenas concentrações na atmosfera marciana.

A sonda foi a primeira a identificar cloreto de hidrogênio no planeta e registrou concentrações elevadas ao longo do flanco norte de Alba Mons.

Os cientistas investigam a possibilidade de que as fissuras permaneçam bloqueadas pelo gelo durante determinadas épocas do ano. Com o aumento das temperaturas e o derretimento do gelo, gases acumulados no subsolo poderiam escapar para a atmosfera.

A hipótese ajudaria a explicar a presença localizada do cloreto de hidrogênio sobre as estruturas geológicas observadas.

Marte pode não estar geologicamente morto

A superfície marciana apresenta numerosas evidências de atividade vulcânica antiga. Entre suas formações está o Monte Olimpo, o vulcão mais alto do Sistema Solar.

Pesquisas anteriores já haviam identificado sinais de vulcanismo ocorrido há alguns milhões de anos. Além disso, registros de terremotos marcianos obtidos pelo sismômetro InSight, da Nasa, também forneceram indícios de atividade geológica.

Entretanto, segundo Mège, ainda não havia sido registrada uma evidência de atividade magmática atual. A nova detecção sugere que o interior do planeta pode conservar calor suficiente para sustentar processos associados ao magma.

Na Terra, o dióxido de enxofre costuma ser mais abundante do que o cloreto de hidrogênio nas emissões vulcânicas. Em Marte, diferenças na composição química podem favorecer uma proporção maior de cloreto de hidrogênio.

Descoberta pode ajudar na busca por vida em Marte

A possível presença de magma subterrâneo também tem implicações para a busca de vida em Marte. Caso existam reservatórios de material quente sob a superfície, o calor poderia interagir com a água presente no subsolo marciano.

Segundo Trokhimovskiy, o magma em ascensão pode encontrar, derreter e aquecer essa água, criando ambientes protegidos das condições extremas da superfície. Essas interações poderiam formar sistemas hidrotermais, nos quais água e calor criam condições potencialmente favoráveis à existência de microrganismos.

Na Terra, acredita-se que a vida tenha surgido há bilhões de anos em ambientes hidrotermais. Por isso, os pesquisadores consideram que regiões subterrâneas aquecidas podem representar alvos importantes na investigação sobre a possibilidade de vida no planeta vermelho.

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