Magma: cientistas identificaram um reservatório subterrâneo de cerca de 6 mil km³ oculto sob a região da Toscana (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
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Publicado em 9 de agosto de 2026 às 09h49.
Pesquisadores identificaram um gigantesco reservatório de magma "oculto" sob a região da Toscana, na Itália. A estrutura, estimada em aproximadamente 6.000 quilômetros cúbicos de material parcialmente fundido, permaneceu desconhecida porque não apresenta os sinais superficiais normalmente associados a grandes sistemas vulcânicos.
A descoberta foi feita por uma equipe internacional liderada pela Universidade de Genebra (UNIGE), em parceria com o Instituto de Geociências e Recursos da Terra (CNR-IGG) e o Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV). O estudo foi publicado na revista Communications Earth & Environment.
O reservatório está localizado entre 8 e 15 quilômetros de profundidade e se estende por boa parte da Toscana. Segundo os pesquisadores, seu volume é semelhante ao de grandes sistemas magmáticos associados a regiões como Yellowstone, nos Estados Unidos.
Apesar das dimensões, os cientistas ressaltam que não há qualquer indício de atividade vulcânica iminente. Segundo o coordenador do estudo, Matteo Lupi, a região já era conhecida por sua intensa atividade geotérmica, mas ninguém imaginava que escondesse um sistema magmático dessa magnitude.
"Sabíamos que esta região, que se estende de norte a sul pela Toscana, é geotermicamente ativa, mas não tínhamos noção de que continha um volume tão grande de magma, comparável ao de sistemas supervulcânicos como Yellowstone", afirmou.
Para mapear o reservatório, a equipe utilizou uma técnica chamada tomografia de ruído ambiente, que analisa pequenas vibrações naturais produzidas continuamente por ondas do mar, ventos e atividades humanas.
Cerca de 60 sensores sísmicos registraram essas vibrações. Como as ondas sísmicas se propagam mais lentamente em materiais muito quentes ou parcialmente fundidos, foi possível identificar as regiões onde havia magma acumulado.
A partir dessas medições, os pesquisadores reconstruíram um modelo tridimensional da crosta terrestre sob a Toscana, revelando a extensa massa de fluidos magmáticos.
Embora sistemas dessa dimensão possam estar associados à formação de supervulcões em escalas geológicas, os autores enfatizam que o reservatório não apresenta sinais de instabilidade.
A ausência de deformações no terreno, grandes emissões de gases ou outros indicadores típicos reforça que o magma permanece armazenado em profundidade e não representa perigo imediato para a população.
Além do interesse científico, a descoberta pode ter aplicações importantes para a transição energética.
Reservatórios magmáticos profundos costumam estar relacionados à formação de sistemas geotérmicos e à concentração de minerais estratégicos, como lítio e elementos de terras raras, fundamentais para baterias de veículos elétricos, equipamentos eletrônicos e tecnologias de energia renovável.