Christa Pike: americana tem neoplasia mieloproliferativa, doença que afeta a medula óssea (Reprodução/YouTube)
Redatora
Publicado em 5 de novembro de 2026 às 10h00.
A americana Christa Pike, de 50 anos, diagnosticada com um tipo raro de câncer da medula óssea, sobreviveu a uma tentativa de execução por injeção letal nos Estados Unidos. A doença, chamada neoplasia mieloproliferativa (NMP), provoca a produção excessiva de células sanguíneas e pode ter contribuído para complicações durante o procedimento.
Segundo documentos judiciais divulgados pela revista People, Pike apresenta trombocitose, caracterizada pelo aumento da quantidade de plaquetas no sangue.
A defesa havia alertado para os riscos da aplicação intravenosa de pentobarbital, substância utilizada na execução, e para a possibilidade de agravamento do sofrimento físico.
As neoplasias mieloproliferativas são um grupo de doenças que afetam a medula óssea, responsável pela produção das células do sangue. Nessas condições, o organismo passa a produzir quantidades excessivas de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos ou plaquetas.
Os sintomas e as complicações variam conforme o tipo da doença. Entre as manifestações possíveis estão fadiga, tontura, dores de cabeça e aumento do baço.
A condição também pode elevar o risco de tromboses, caracterizadas pela formação de coágulos sanguíneos, e de hemorragias.
No caso de Pike, os documentos judiciais apontam a presença de trombocitose associada à neoplasia mieloproliferativa.
Segundo os advogados, o quadro aumentaria o risco de edema pulmonar, condição caracterizada pelo acúmulo de líquido nos pulmões.
Antes da execução, a condenada solicitou a substituição da injeção letal por um pelotão de fuzilamento composto exclusivamente por mulheres. O pedido foi negado pelas autoridades do Tennessee, estado onde esse método de execução não é legalmente autorizado.
Embora a doença tenha sido apontada como possível fator de risco, não há confirmação, nas informações divulgadas, de que tenha causado as falhas do procedimento.
Christa Pike sobreviveu à administração de pentobarbital e precisou ser hospitalizada. Durante a internação, chegou a ser considerada com morte cerebral, segundo o relato divulgado. Posteriormente, voltou a falar e recebeu alta em 9 de outubro, após dez dias no hospital.
A americana apresentou inchaço, queimaduras e bolhas nos dois braços. De acordo com seus advogados, as lesões teriam sido provocadas por falhas nos acessos intravenosos.
A suspeita é de que o medicamento tenha atingido os tecidos dos braços, em vez de entrar diretamente na circulação sanguínea.
Após o episódio, o governador do Tennessee, Bill Lee, suspendeu as execuções previstas no estado.