Ciência

Nutriente comum pode ativar mecanismo 'oculto' de regeneração no intestino

Estudo do MIT identificou que a cisteína estimula células ligadas à reparação do tecido intestinal após danos causados por radiação

Intestino: cientistas descobriram que um aminoácido pode estimular mecanismos naturais de regeneração do tecido intestinal (Freepik)

Intestino: cientistas descobriram que um aminoácido pode estimular mecanismos naturais de regeneração do tecido intestinal (Freepik)

Publicado em 22 de maio de 2026 às 06h32.

Um aminoácido encontrado naturalmente em alimentos ricos em proteína pode ajudar o intestino a se regenerar após danos causados por tratamentos como quimioterapia e radioterapia. A descoberta foi feita por pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e publicada na revista Nature.

Segundo os cientistas, a substância chamada cisteína estimulou mecanismos ligados à regeneração do intestino delgado em camundongos expostos à radiação. Com isso, o estudo sugere que, no futuro, dietas ou suplementos ricos nesse aminoácido poderão ajudar pacientes com câncer a reduzir danos intestinais provocados pelo tratamento.

Como a cisteína ajudou o intestino a se regenerar

Para entender como nutrientes específicos afetam as células do intestino, os pesquisadores testaram 20 aminoácidos diferentes em camundongos. Entre todos os compostos analisados, a cisteína apresentou o efeito mais forte na regeneração de células-tronco intestinais e células progenitoras — estruturas responsáveis pela renovação do tecido intestinal.

Os cientistas descobriram que, ao ser absorvida pelo organismo, a substância desencadeia uma resposta imunológica capaz de estimular mecanismos naturais de reparação do intestino.

Segundo o estudo, células intestinais transformam o aminoácido em uma molécula chamada CoA, que depois ativa células do sistema imunológico conhecidas como células T CD8.

Com isso, essas células passam então a produzir IL-22, uma proteína associada à regeneração do tecido intestinal e ao funcionamento das células-tronco.

Descoberta pode ajudar pacientes com câncer

Os pesquisadores observaram que camundongos alimentados com dieta rica em cisteína apresentaram melhor recuperação após lesões intestinais causadas por radiação.

Experimentos adicionais também indicaram efeitos positivos após uso do quimioterápico 5-fluorouracil, medicamento utilizado no tratamento de cânceres como os de cólon e pâncreas.

Segundo Ömer Yilmaz, autor principal do estudo e pesquisador do MIT, a descoberta abre caminho para futuras estratégias nutricionais destinadas à recuperação intestinal durante tratamentos contra o câncer.

Os cientistas destacam que a principal vantagem é utilizar um composto naturalmente presente na alimentação, e não uma molécula sintética.

Onde a cisteína é encontrada?

A cisteína está presente em diversos alimentos ricos em proteína, incluindo:

  • carnes
  • laticínios
  • ovos
  • feijões
  • leguminosas
  • nozes

O corpo humano também consegue produzir cisteína a partir de outro aminoácido chamado metionina. No entanto, segundo os pesquisadores, a cisteína obtida diretamente pela alimentação parece exercer efeito mais intenso no intestino, uma vez que chega primeiro ao sistema digestivo antes de ser distribuída para outras partes do organismo.

O que a descoberta pode mudar na medicina

Os autores afirmam que este é o primeiro estudo a identificar um único nutriente capaz de estimular diretamente a regeneração de células-tronco intestinais.

Até então, pesquisas anteriores haviam mostrado apenas que padrões alimentares mais amplos — como jejum ou restrição calórica — poderiam influenciar esse processo.

A partir desses resultados, a equipe pretende investigar se a cisteína também pode ajudar na regeneração de outros tecidos do corpo, incluindo folículos capilares e estruturas associadas ao crescimento de cabelo.

No entanto, mesmo com os resultados promissores, os cientistas ressaltam que os testes foram realizados apenas em animais e que novos estudos ainda serão necessários para avaliar possíveis aplicações em humanos.

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