Ciência

Jonas Salk: o cientista que criou a vacina da pólio e abriu mão da fortuna

Imunizante anunciado em 1955 reduziu drasticamente casos da doença e se tornou marco na história da medicina

Jonas Salk: o cientista que criou vacina da pólio sem patente (Getty Images)

Jonas Salk: o cientista que criou vacina da pólio sem patente (Getty Images)

Publicado em 7 de maio de 2026 às 12h14.

O desenvolvimento da vacina contra a poliomielite marcou um dos maiores avanços da história da medicina. Criada pelo cientista Jonas Salk, a imunização foi anunciada em 1955 como segura e eficaz, reduzindo drasticamente os casos da doença em poucos anos, segundo registros históricos citados pela BBC.

A poliomielite, também chamada de pólio, era uma das maiores ameaças de saúde pública do século XX. O vírus podia causar paralisia e até levar à morte, sobretudo entre crianças. Em 1952, os Estados Unidos registraram mais de 57 mil casos, o maior surto já documentado no país, de acordo com dados dos Centers for Disease Control and Prevention (CDC).

Como surgiu a vacina contra a poliomielite

A pesquisa liderada por Salk avançou a partir de estudos que mostraram que o vírus da pólio poderia ser cultivado em laboratório. Com financiamento da organização March of Dimes, o cientista desenvolveu uma vacina baseada em vírus inativado, capaz de estimular o sistema imunológico sem causar a doença.

Antes da liberação para uso amplo, o imunizante passou por um dos maiores testes clínicos da história, envolvendo cerca de 2 milhões de crianças. O resultado confirmou a eficácia da vacina, que rapidamente começou a ser aplicada em larga escala.

Queda nos casos e impacto global

Os efeitos foram imediatos. Em apenas um ano após a introdução da vacina, os casos de poliomielite nos Estados Unidos caíram de dezenas de milhares para cerca de 2 mil, segundo dados do CDC. Em uma década, a doença estava praticamente erradicada no país.

O avanço também impulsionou campanhas de vacinação em massa em diferentes regiões do mundo, transformando o combate à pólio em um dos maiores exemplos de sucesso da saúde pública, de acordo com a World Health Organization (OMS).

Por que Jonas Salk não patenteou a vacina

Apesar do impacto da descoberta, Salk tomou uma decisão que chamou atenção na época: recusou-se a patentear a vacina. Ao ser questionado sobre quem detinha os direitos, respondeu que a descoberta pertencia à população e comparou a ideia de patenteá-la a “patentear o sol”, conforme destacado em reportagem pela BBC.

Ao abrir mão da patente, o cientista também renunciou a uma possível fortuna bilionária, já que o imunizante seria produzido e distribuído em larga escala no mundo inteiro. A escolha permitiu que a vacina se espalhasse rapidamente, com custos mais baixos, acelerando o controle da doença em escala global.

A disputa científica pela vacina contra a pólio

O desenvolvimento da vacina ocorreu em meio a uma disputa científica com Albert Sabin, que defendia uma abordagem diferente, baseada em vírus atenuado. Enquanto a vacina de Salk era aplicada por injeção, a de Sabin, administrada por via oral, facilitou campanhas em larga escala.

As duas estratégias se complementaram ao longo do tempo e foram fundamentais para reduzir drasticamente a circulação do vírus no mundo.

O legado da vacina da pólio na saúde global

O trabalho de Salk contribuiu para salvar milhões de vidas e influenciou a forma como campanhas de vacinação são conduzidas até hoje. Sua decisão de não lucrar com a vacina também passou a ser frequentemente citada como exemplo de acesso amplo a avanços médicos.

Décadas depois, a poliomielite foi eliminada em grande parte do mundo, embora ainda existam regiões com casos esporádicos, segundo a OMS. O legado da vacina permanece como um marco na história da medicina e um exemplo do impacto de políticas de saúde pública baseadas em vacinação em larga escala.

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