Braceletes de ouro encontrados junto ao tesouro de prata da Era Viking na Dinamarca. (Divulgação/Nordjyske Museer)
Repórter
Publicado em 5 de setembro de 2026 às 17h08.
Um trabalho de jardinagem levou à descoberta do maior tesouro de prata da Era Viking conhecido na Dinamarca. O achado, encontrado em Rebild, no norte do país, reúne cerca de 700 objetos e fragmentos e pesa 18,5 quilos.
O tesouro é quase três vezes maior que o chamado Terslevskat, até então o maior conjunto de prata da Era Viking encontrado na Dinamarca, com cerca de 6,5 quilos.
A descoberta ocorreu quando o proprietário de uma casa preparava o terreno para construir um novo terraço. Ele encontrou os objetos depois de cerca de meia hora de escavação e preferiu permanecer anônimo.
Entre os itens estão 47 moedas inteiras ou fragmentadas, barras de prata, pulseiras, objetos cortados em pedaços e um pequeno martelo de Thor.
Cerca de 320 objetos, com peso total de 6,4 quilos, foram encontrados dentro do vaso de cerâmica em que o tesouro foi enterrado. O restante estava espalhado pelo solo ao redor.
Os arqueólogos acreditam que o conjunto foi escondido em algum momento do século X. Duas moedas anglo-saxônicas cunhadas durante o reinado de Eduardo, o Velho, que governou entre 899 e 924, ajudam a estabelecer o período: o tesouro só poderia ter sido enterrado depois que essas moedas entraram em circulação.
Uma das barras de prata também traz uma inscrição em runas. Ela pode ser lida como “hutu”, embora o significado ainda não esteja definido. Segundo os pesquisadores, pode ser um nome, uma marca de propriedade ou outro tipo de identificação.
O achado também ajuda a entender como a riqueza era armazenada e utilizada na Era Viking. Naquele período, o valor da prata estava principalmente relacionado ao peso e à qualidade do metal.
Por isso, barras, joias e outros objetos podiam funcionar como meio de pagamento ou reserva de valor. A prata também era cortada, dividida ou derretida para que a quantidade necessária fosse utilizada em uma transação.
No tesouro de Rebild, as barras, partes de pulseiras e fragmentos de prata aparecem concentrados em determinados grupos de peso. Para os arqueólogos, isso indica que o material não foi reunido de forma aleatória, mas organizado como uma reserva de riqueza.
“É como encontrar um cofre da Era Viking”, afirmou Torben Sarauw, arqueólogo e responsável pelo patrimônio cultural dos Nordjyske Museer.
O tesouro contém moedas árabes e anglo-saxônicas. As primeiras são dirrãs, moedas de prata produzidas no mundo islâmico, enquanto duas moedas inglesas foram cunhadas durante o reinado de Eduardo, o Velho.
A presença desses objetos indica que a região estava ligada a redes de circulação que alcançavam a Inglaterra, a Europa continental e territórios a leste da Escandinávia.
As moedas árabes também aparecem cortadas em pedaços, o que está relacionado ao uso da prata pelo peso. Exemplares desse tipo são encontrados em outros tesouros escandinavos da época.
“A prata estava escondida em Rebild, mas aponta para um mundo muito maior”, afirmou Sarauw. Segundo o arqueólogo, as moedas mostram conexões com o mundo islâmico a leste e a Inglaterra a oeste.
Não será possível realizar uma grande investigação arqueológica no local porque o ponto da descoberta fica em uma área atualmente urbanizada.
Por isso, os pesquisadores ainda não sabem se o tesouro foi enterrado próximo a uma povoação viking, a uma antiga rota de circulação ou em um local isolado. Sem novas escavações, a relação entre o esconderijo e a paisagem da época permanece incerta.
A região, no entanto, já havia revelado outros tesouros importantes. Em 1971, um conjunto conhecido como Rebildskat trouxe à tona cerca de quatro quilos de prata, também datados do século 10.
Outro achado recente na região é o Roldskatten, formado por seis braceletes de ouro da Era Viking, encontrados em 2026.
O tesouro foi declarado danefæ, categoria usada na Dinamarca para achados arqueológicos de interesse excepcional, e será encaminhado ao Museu Nacional da Dinamarca para avaliação.
Os Nordjyske Museer trabalham para que o conjunto seja exibido permanentemente no Museu Viking de Fyrkat, junto com os seis braceletes de ouro do Roldskatten.
Antes disso, porém, serão avaliadas as condições necessárias para a exposição. Por se tratar de peças únicas e de alto valor, o museu afirma que serão necessários requisitos específicos de segurança, como sistemas de monitoramento, alarmes e vitrines adequadas.