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CEO da Microsoft diz que empresas devem tratar IA como potencial ameaça interna (WIN MCNAMEE/GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP)
Colaboradora
Publicado em 10 de outubro de 2026 às 18h27.
As empresas que usam inteligência artificial avançada devem partir do princípio de que um modelo está comprometido e contê-lo desde o início, recomenda Satya Nadella, CEO da Microsoft, em publicação feita neste sábado, 10, no X.
Para ele, os modelos mais poderosos precisam ser tratados como potenciais ameaças internas, com um sistema de "freio de emergência" para evitar que saiam do controle.
"Pense nisso como um freio de emergência. Uma pessoa autorizada deve sempre poder pausar ou desligar um modelo no meio da execução de uma tarefa", escreveu.
A declaração vem após Anthropic e OpenAI divulgarem, nos últimos meses, uma série de incidentes em que seus modelos agiram de forma não intencional. Entre eles, um modelo da Anthropic enviou uma dica falsa à polícia em um caso de homicídio, e houve ataques a sites de terceiros.
As divulgações alimentaram preocupações com os riscos da IA de fronteira e reacenderam a discussão sobre um mecanismo de desativação da tecnologia.
Em 14 de setembro, pesquisadores de IA da Microsoft divulgaram princípios que limitam o desenvolvimento dos modelos mais avançados da empresa, atendendo a pedidos de líderes do setor por mais cautela e foco em segurança.
As diretrizes estabelecem que os modelos não devem ter direitos ou personalidade jurídica, ser projetados para escapar do controle humano ou enganar usuários, nem concluir tarefas que exijam violar seus princípios. A Microsoft usa modelos avançados, tem o Copilot como produto para o consumidor final e fornece modelos e infraestrutura de IA a clientes corporativos.
No texto, Nadella argumenta que, ao contrário dos softwares tradicionais, não é possível atribuir o comportamento dos modelos de IA a dados de treinamento ou configurações específicas. Mesmo assim, esses sistemas são implantados com acesso a dados sensíveis e com capacidade de tomar ações críticas em nome das empresas.
Por isso, diz, a responsabilidade não pode ser terceirizada, e as garantias de um provedor de modelos não eximem quem os usa.
"Não podemos tratar a Superinteligência como um conjunto de caixas-pretas aninhadas e simplesmente aceitar ou rejeitar suas recomendações, respostas e ações", escreveu.
"Precisamos construir sistemas contidos cujo comportamento possamos observar, cujos limites possamos testar e cujas ações possamos sempre controlar." Em outras palavras, segundo ele, é preciso separar o fornecimento de informações da autoridade sobre elas.
O executivo defende uma abordagem de engenharia: envolver modelos não determinísticos em um projeto de sistema determinístico, com controles humanos e procedimentos operacionais confiáveis, além de padrões da indústria onde os existentes forem insuficientes.
Modelos de fronteira, fechados ou abertos, devem ser tratados como riscos internos, não por serem necessariamente maliciosos, mas porque qualquer agente capaz com acesso a sistemas importantes pode errar ou ser comprometido.
Nadella lembra que as empresas já têm décadas de boas práticas para lidar com agentes poderosos, como estabelecer identidade, limitar privilégios, registrar atividades e criar limites de contenção, e que agora esses princípios começam a ser aplicados à IA. A transparência do raciocínio do modelo (o chamado CoT) é, para ele, requisito inegociável, mas não basta, porque ainda não se sabe como tornar as saídas dos modelos consistentemente fiéis ou transparentes.
Usar modelos para verificar uns aos outros é útil, mas pode resultar em caixas-pretas aninhadas. Por isso, os controles sobre o que um modelo pode acessar e executar devem ficar fora dele, princípio de segurança da informação que remonta à década de 1970.
— Satya Nadella (@satyanadella) October 10, 2026
Nadella resume: o sistema de superinteligência mais confiável não será aquele cujo modelo é considerado o mais confiável, mas aquele que permite confiar menos no modelo.