Ciência

Polvo de 19 metros pode ter sido o maior predador dos oceanos

Fósseis sugerem que espécie do Cretáceo era um dos maiores predadores invertebrados já registrados da história

Reconstrução mostra como seria o polvo gigante que viveu no período Cretáceo (Yohei Utsuki/Departamento de Ciências da Terra e Planetárias, Universidade )

Reconstrução mostra como seria o polvo gigante que viveu no período Cretáceo (Yohei Utsuki/Departamento de Ciências da Terra e Planetárias, Universidade )

Publicado em 25 de abril de 2026 às 11h10.

Um grupo de polvos gigantes pode ter dominado os oceanos durante o período Cretáceo, há cerca de 100 milhões de anos. Com até 19 metros de comprimento, esses animais eram predadores ativos e estão entre os maiores invertebrados já identificados, segundo estudo liderado pela Universidade de Hokkaido, no Japão.

A pesquisa, publicada na revista científica Science, analisou 27 mandíbulas fossilizadas — também chamadas de bicos — encontradas no Japão e na Ilha de Vancouver, no Canadá. Esses fragmentos são geralmente a única parte do corpo preservada, já que os polvos possuem tecidos moles que não fossilizam com facilidade.

Predadores gigantes e inteligentes

Os cientistas identificaram as espécies Nanaimoteuthis jeletzkyi e Nanaimoteuthis haggarti. A segunda se destacou pelo tamanho, com estimativas que variam de 6,6 a 18,6 metros de comprimento total.

Segundo o pesquisador Yasuhiro Iba, esses animais poderiam ser comparados aos grandes predadores atuais. Ele afirma que os polvos do Cretáceo eram grandes, eficientes e possivelmente inteligentes, com comportamento avançado para capturar presas.

Comparação de tamanho entre predadores do Cretáceo

Foto: Yohei Utsuki/Departamento de Ciências da Terra e Planetárias, Universidade de Hokkaido

Como esses polvos caçavam?

A análise das mandíbulas revelou sinais de desgaste, indicando que esses polvos se alimentavam de presas com estruturas duras, como moluscos, crustáceos e outros cefalópodes.

Os pesquisadores apontam que os animais utilizavam seus braços longos e flexíveis para capturar as presas e, em seguida, processá-las com mandíbulas fortes. Apesar disso, não há evidências diretas de que atacassem grandes vertebrados, como tubarões ou répteis marinhos.

Gigantismo marcou os oceanos do período

O estudo também reforça que o gigantismo era comum nos mares do Cretáceo. Na mesma época, tubarões, répteis marinhos e outros organismos também atingiram grandes dimensões, favorecidos pela abundância de alimento.

Os cientistas destacam que esses polvos provavelmente ocupavam um papel semelhante ao de predadores de topo, ajudando a equilibrar o ecossistema marinho.

Indícios de comportamento avançado

Outro achado relevante foi o padrão de desgaste irregular nas mandíbulas, que pode indicar lateralização — preferência por um lado do corpo. Esse comportamento é associado à cognição em animais modernos, incluindo polvos atuais.

A descoberta sugere que esses cefalópodes extintos já apresentavam características ligadas à inteligência, reforçando a complexidade evolutiva do grupo.

Acompanhe tudo sobre:CuriosidadesPesquisas científicasOceanos

Mais de Ciência

Após 9 mil anos, arroz pode se tornar extinto por ameaça global — e cientistas não têm soluções

O que é cardiomiopatia hipertrófica, doença que matou fisiculturista aos 22 anos

Cientistas confirmam origem extraterrestre de cratera de 21 km no Piauí

‘Não estudava muito’: diários inéditos revelam preocupação do pai de Stephen Hawking