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Longevidade & Wellness: os mais velhos são parte da solução, não um problema

Em evento na EXAME, Alexandre Kalache, do ILC-Brasil destaca a contribuição das pessoas com mais de 80 anos e defende mudanças na saúde, no trabalho e na divisão de cuidados

Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional da Longevidade Brasil (ILC-Brasil): “Envelhecer é bom. Morrer cedo é que não presta"

Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional da Longevidade Brasil (ILC-Brasil): “Envelhecer é bom. Morrer cedo é que não presta"

Caroline Marino
Caroline Marino

Jornalista especializada em carreira, RH e negócios

Publicado em 28 de outubro de 2026 às 13h00.

Última atualização em 28 de outubro de 2026 às 14h37.

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“A maior conquista social dos últimos 120 anos foi a possibilidade de envelhecer como regra, não como exceção”, disse Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional da Longevidade Brasil (ILC-Brasil), durante uma apresentação no Longevidade & Wellness, evento promovido pela EXAME e realizado na terça-feira, 27, em São Paulo.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida no Brasil chegou a 76,6 anos, a maior já registrada. Em 2025, as pessoas com 60 anos ou mais representavam 16,6% da população e a projeção é que esse grupo alcance 40 milhões em 2030. Já o número de trabalhadores dessa faixa etária aumentou mais de 53% na última década.

Para dimensionar essa transformação, o especialista lembrou que, em 1945, a Alemanha tinha a maior expectativa de vida do mundo: 45 anos.

Hoje, segundo ele, mesmo os países mais pobres superam esse patamar. O avanço, porém, traz o desafio de garantir que os anos conquistados sejam vividos com qualidade.

Isso vai além das escolhas individuais e exige mudanças nos sistemas de saúde, no mercado de trabalho, na organização das famílias e na divisão das responsabilidades pelo cuidado. Dentro desse movimento, o crescimento da população com mais de 80 anos representa o que chamou de “revolução dentro da revolução”.

Condições para viver melhor

A preparação para a velhice, de acordo com Kalache, deve ocorrer ao longo da vida. Quanto antes começar, melhor, mas sempre haverá espaço para mudar hábitos e obter benefícios.

Por outro lado, essa possibilidade depende também das condições de cada um. Em grandes cidades, por exemplo, as pessoas enfrentam longos deslocamentos em transporte público e chegam ao trabalho já exaustos, o que dificulta a adoção de uma rotina mais saudável.

No caso das mulheres, essa sobrecarga é ainda maior. Além do trabalho remunerado, elas assumem o cuidado com filhos e familiares doentes.

Por isso, é fundamental compartilhar essas responsabilidades. A participação dos homens não pode ser tratada como “ajuda”, como se cuidar fosse uma obrigação exclusivamente feminina. Rever essa divisão faz parte das mudanças necessárias para uma sociedade mais longeva.

O acesso à saúde é outro fator decisivo. Ao comparar Brasil e Estados Unidos, Kalache destacou a importância do SUS. Enquanto o sistema brasileiro assegura o direito ao atendimento universal, no modelo americano o custo pode restringir o acesso aos cuidados.

A comparação reforça que envelhecer com saúde depende tanto da prevenção quanto da possibilidade de receber tratamento quando necessário, mesmo sem recursos.

Experiência que transforma

“Não me acho um problema, mas uma parte da solução”, afirmou Kalache, ao defender que as pessoas com mais de 80 anos ainda têm muito a contribuir na política, nas artes, na cultura e na aproximação entre gerações.

Reconheceu, no entanto, que sua trajetória foi marcada por privilégios e que o desafio é ampliar as oportunidades para quem não teve as mesmas condições.

Ao final, fez um convite ao público para envelhecer bem, celebrar a longevidade e acolher os mais velhos. “Envelhecer é bom. Morrer cedo é que não presta.”

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