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Para Sérgio Sacani, a continuidade do que a humanidade vive com IA está na Lua

Geofísico e youtuber afirma que avanço da IA pode esbarrar em limites energéticos da Terra e relaciona nova corrida lunar à demanda crescente por processamento computacional

Sérgio Sacani: geofísico e youtuber fez o painel de abertura do AI Summit (Wikimedia Commons/Flickr)

Sérgio Sacani: geofísico e youtuber fez o painel de abertura do AI Summit (Wikimedia Commons/Flickr)

Publicado em 2 de junho de 2026 às 09h39.

Última atualização em 2 de junho de 2026 às 17h40.

“A continuidade do que estamos vivendo está na Lua”, afirmou Sérgio Sacani durante sua participação no AI Summit, evento promovido pela EXAME nesta terça-feira, 2.

O geofísico e criador do canal Space Today defendeu que o crescimento acelerado da inteligência artificial (IA) pode transformar a disponibilidade de energia em um dos principais desafios tecnológicos das próximas décadas.

Segundo Sacani, a expansão dos modelos de IA exige volumes cada vez maiores de processamento computacional, elevando o consumo energético de centros de dados em todo o mundo.

Na avaliação dele, o debate sobre a exploração da Lua vai além do interesse científico e geopolítico tradicional.

“Hoje já é um consenso que não vai ter energia suficiente para o planeta”, disse. Para Sacani, é impossível não relacionar a corrida lunar às necessidades de novas fontes energéticas para sustentar a evolução da IA.

Durante a apresentação, Sacani citou uma declaração atribuída ao presidente chinês Xi Jinping em 2019, segundo a qual “a salvação da Terra está na Lua”.

Para o geofísico, o satélite natural passou a ocupar posição estratégica em discussões sobre infraestrutura energética e capacidade computacional de longo prazo.

Ao longo da palestra, o comunicador também traçou uma linha do tempo da evolução da inteligência artificial, destacando marcos históricos que antecedem a popularização dos sistemas generativos.

Sacani lembrou que as bases conceituais da área remontam aos trabalhos de Warren McCulloch e Walter Pitts, em 1943, e destacou a influência de Alan Turing, matemático britânico considerado um dos pioneiros da computação moderna.

O palestrante ressaltou que o termo “inteligência artificial” foi criado em 1956, durante a conferência de Dartmouth, encontro que reuniu pesquisadores que ajudaram a fundar o campo de estudos da IA.

Ele também citou a vitória do computador Deep Blue, da IBM, sobre o enxadrista Garry Kasparov em 1997 e apontou os avanços das redes neurais profundas como o principal fator por trás da atual revolução tecnológica.

De Turing ao ChatGPT

Na avaliação de Sacani, um dos personagens centrais dessa trajetória é Geoffrey Hinton, pesquisador conhecido por suas contribuições ao desenvolvimento do aprendizado profundo, ou deep learning, técnica que está na base dos grandes modelos de linguagem utilizados atualmente.

O geofísico destacou ainda o lançamento do GPT-1 em 2018 e a chegada do ChatGPT ao mercado em 2022 como momentos que aceleraram a adoção da IA pelo público geral.

Segundo ele, a velocidade das transformações tornou obsoletas análises feitas poucos meses antes. “O que for falado aqui hoje, daqui a dois meses pode estar ultrapassado”, afirmou.

A fala ocorreu durante um painel dedicado aos impactos da inteligência artificial na economia e na sociedade. Ao conectar o avanço dos modelos de IA à demanda por energia, Sacani argumentou que a discussão sobre computação, exploração espacial e infraestrutura energética tende a se tornar cada vez mais integrada nos próximos anos.

Acompanhe tudo sobre:AI Summit Exame

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