Ciência

Perda de olfato pode ser sintoma precoce de Alzheimer, diz estudo

A perda do sentido olfativo surge antes de sintomas cognitivos e envolve a ação de células imunes no cérebro

Alzheimer: doença envolve eliminação de sinapses e dos estímulos olfativos  (haydenbird/Getty Images)

Alzheimer: doença envolve eliminação de sinapses e dos estímulos olfativos (haydenbird/Getty Images)

Maria Eduarda Lameza
Maria Eduarda Lameza

Estagiária de jornalismo

Publicado em 15 de abril de 2026 às 06h40.

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A perda do olfato pode ser um dos primeiros sinais do Alzheimer, surgindo antes de alterações de memória. A conclusão é de um estudo da Universidade de Munique, publicado na revista Nature, um dos periódicos mais importantes do meio científico.

Os pesquisadores identificaram que células imunes do cérebro, chamadas microglia, passam a destruir conexões nervosas ligadas ao processamento de odores. O processo ocorre entre o bulbo olfatório e o locus coeruleus, estruturas responsáveis pela interpretação e regulação dos estímulos olfativos.

De acordo com os autores do estudo, essas alterações olfativas acontecem ainda nas fases iniciais da doença, antes do surgimento de sintomas cognitivos. As fibras nervosas afetadas passam a ser interpretadas como defeituosas, levando à sua remoção pelo sistema imune cerebral.

Como o processo neural funciona?

Os cientistas observaram mudanças na membrana dos neurônios, com uma molécula do tipo fosfatidilserina migrando para a parte externa da célula. Esse movimento funciona como um sinal de “eliminação” para a microglia.

Em condições normais, esse processo está associado à chamada poda sináptica, mecanismo que remove conexões desnecessárias. No caso do Alzheimer, porém, a eliminação ocorre de forma antecipada e afeta conexões essenciais.

Os pesquisadores associam essa alteração à hiperatividade neuronal, descrita como disparos anormais dos neurônios relacionados à doença.

A pesquisa combinou evidências de modelos animais, análise de tecido cerebral humano e exames de imagem de pacientes com Alzheimer e com comprometimento cognitivo leve.

Importância do diagnóstico precoce

Segundo os autores, a identificação antecipada pode permitir que pacientes sejam encaminhados para exames mais detalhados antes do surgimento de sintomas mais graves.

O estudo destaca que terapias com anticorpos beta-amiloide apresentam maior eficácia quando administradas no início do Alzheimer. A detecção precoce pode ampliar as chances de resposta ao tratamento e orientar intervenções em estágios iniciais da doença.

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