Ciência

Como o excesso de peso pode acelerar o envelhecimento do cérebro?

Pesquisa acompanhou mais de 8.200 adultos durante 24 anos e encontrou associação entre IMC elevado e declínio cognitivo mais rápido

Cérebro: relação entre IMC elevado e declínio cognitivo foi mais forte entre adultos com mais de 65 anos (Freepik)

Cérebro: relação entre IMC elevado e declínio cognitivo foi mais forte entre adultos com mais de 65 anos (Freepik)

Publicado em 3 de novembro de 2026 às 11h46.

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O excesso de peso pode estar associado ao envelhecimento cognitivo mais rápido, com impactos na memória, na concentração e na capacidade de raciocínio. A conclusão é de um estudo da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, que acompanhou mais de 8.200 adultos durante 24 anos.

A pesquisa, publicada no Journal of Neurology, identificou que pessoas com índice de massa corporal (IMC) mais elevado apresentaram maior perda de desempenho nas funções executivas, responsáveis por habilidades como planejamento, organização e tomada de decisões.

Os efeitos foram mais evidentes entre os participantes com mais de 65 anos.

Como o excesso de peso pode afetar o cérebro?

O envelhecimento costuma provocar mudanças graduais na memória e na capacidade de processar informações. Em adultos saudáveis, essas alterações geralmente são leves, mas o excesso de peso pode acelerar esse processo.

Para investigar essa relação, os pesquisadores analisaram dados de um levantamento nacional com adultos acima dos 50 anos, acompanhados durante 24 anos.

Os resultados mostraram que cada aumento de um ponto no IMC estava associado a um declínio cognitivo mais rápido. Essa associação foi mais forte no oitavo ano de acompanhamento.

Por que a obesidade pode prejudicar a memória?

A obesidade, geralmente definida por um IMC igual ou superior a 30, já foi associada a alterações na saúde cerebral.

Os pesquisadores apontam diferentes mecanismos que podem ajudar a explicar essa relação, embora ainda não exista uma explicação definitiva. Entre os processos investigados estão a inflamação, as alterações na circulação sanguínea e a resistência à insulina.

Essas condições podem contribuir para o comprometimento cognitivo e estão associadas ao risco de doenças como Alzheimer e outras formas de demência.

No entanto, o estudo não demonstrou que o excesso de peso seja uma causa direta dessas doenças.

Controle do peso pode reduzir o declínio cognitivo

Os resultados também sugerem que o controle do peso corporal pode contribuir para preservar as funções cognitivas durante o envelhecimento.

Segundo Suhang Song, autora principal do estudo e professora assistente da Faculdade de Saúde Pública da Universidade da Geórgia, manter o peso sob controle pode ajudar a desacelerar o declínio cognitivo, com possíveis benefícios em apenas dois anos.

Para a pesquisadora, o IMC representa um fator de risco que pode ser modificado, reforçando a importância de investigar sua relação com a saúde cerebral.

No entanto, como o estudo é observacional, não é possível afirmar que a perda de peso, por si só, impeça ou reverta a deterioração das habilidades cognitivas.

O que o estudo revela sobre o envelhecimento cerebral?

A relação entre peso corporal e saúde cerebral ganha relevância diante da prevalência da obesidade. Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), aproximadamente dois em cada cinco adultos americanos apresentam a condição, considerando apenas o IMC.

No entanto, esse indicador não avalia todos os aspectos da obesidade. Por isso, alguns pesquisadores defendem a inclusão de outros critérios, como a circunferência da cintura e a presença de problemas de saúde associados. Com essa avaliação mais ampla, a proporção estimada pode chegar a 75%, segundo os dados citados pela Universidade da Geórgia.

A preocupação também envolve o aumento dos casos de demência. Atualmente, mais de 7 milhões de americanos vivem com a condição, número que poderá dobrar até 2050, conforme as projeções apresentadas na pesquisa.

Diante desse cenário, Song destaca a importância de identificar fatores de risco que possam ser modificados para ajudar na prevenção.

"Não há cura para a demência, e é por isso que é fundamental identificar e abordar quaisquer fatores de risco modificáveis que possamos encontrar para preveni-la", afirmou.

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