Ciência

Cometa 3I/ATLAS muda de composição após passar pelo Sol e intriga cientistas

Observações do telescópio japonês Subaru indicam variação química após aproximação do Sol e revelam pistas sobre o interior do objeto

Cometa 3I/ATLAS: imagem capturada por telescópio japonês revela variações na composição do objeto (Reprodução/International Gemini Observatory/NOIRLab/NSF/AURA/B. Bolin)

Cometa 3I/ATLAS: imagem capturada por telescópio japonês revela variações na composição do objeto (Reprodução/International Gemini Observatory/NOIRLab/NSF/AURA/B. Bolin)

Publicado em 17 de abril de 2026 às 06h09.

O cometa interestelar 3I/ATLAS apresentou mudanças em sua composição química após passar pelo ponto mais próximo do Sol, segundo observações feitas com o Telescópio Subaru. Os dados indicam que o objeto pode ter uma estrutura interna mais complexa do que se imaginava.

A análise foi realizada no início desse ano, logo após o periélio — momento em que o cometa atinge sua menor distância em relação ao Sol. Esse período é considerado estratégico para entender como o aquecimento solar afeta esses corpos celestes. O estudo foi publicado no The Astronomical Journal e está disponível no arXiv.

Mudança na composição química do cometa 3I/ATLAS

Os pesquisadores identificaram uma alteração na proporção entre dióxido de carbono (CO₂) e água (H₂O) na coma, a nuvem de gás que envolve o núcleo do objeto.

A razão CO₂/H₂O medida pelo Telescópio Subaru foi significativamente menor do que a estimada anteriormente por telescópios espaciais, indicando que a composição não permaneceu constante ao longo do tempo.

Como o gás observado nessa região se origina diretamente do núcleo, a variação fornece pistas importantes sobre o interior do corpo celeste.

Aquecimento solar como causa da variação observada

Segundo a equipe liderada por Yoshiharu Shinnaka, da Kyoto Sangyo University, a mudança está ligada ao aquecimento provocado pela aproximação do cometa ao Sol.

À medida que a temperatura aumenta, diferentes regiões do núcleo passam a liberar gases em momentos distintos. Esse processo altera a composição da coma e revela que o material expelido varia conforme camadas mais profundas são atingidas pelo calor.

Estrutura interna em camadas do cometa 3I/ATLAS

Os resultados reforçam a hipótese de que o cometa possui uma estrutura estratificada, com camadas internas diferentes da superfície.

Com o aquecimento progressivo, regiões mais profundas — possivelmente mais ricas em água — começam a sublimar, modificando a assinatura química observada.

Essa evolução indica que o objeto não é homogêneo, mas composto por materiais distribuídos em diferentes níveis do núcleo.

Importância do cometa interestelar para a ciência

O 3I/ATLAS chama atenção por sua origem fora do Sistema Solar, sendo um dos poucos objetos desse tipo já detectados atravessando nossa vizinhança cósmica.

Em comunicado divulgado pelos Institutos Nacionais de Ciências Naturais, Shinnaka afirma que o avanço dos telescópios de levantamento deve ampliar o número de descobertas semelhantes no futuro. "Com a operação em larga escala dos telescópios de levantamento nos próximos anos, espera-se que muitos mais objetos interestelares sejam descobertos."

Isso permitirá comparar diretamente cometas formados em diferentes sistemas estelares. "Por meio do estudo desses objetos, esperamos obter uma compreensão mais profunda de como os planetesimais e os planetas se formaram em uma ampla variedade de sistemas estelares, incluindo o nosso próprio sistema solar", completa.

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