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‘IA é estratégia’: ela acompanhou a ascensão do CRM — agora ajuda empresas a se prepararem para isso

Executiva da Capgemini afirma que inteligência artificial não é uma questão de tecnologia, mas de estratégia

Andréia Forchito, Senior Digital Solution Manager da Capgemini

Andréia Forchito, Senior Digital Solution Manager da Capgemini

Publicado em 5 de junho de 2026 às 19h00.

Muito antes de a inteligência artificial dominar reuniões de conselho, relatórios corporativos e planos de transformação digital, Andréia Forchito, Senior Digital Solution Manager da Capgemini, já acompanhava outra mudança que redefiniu o mundo dos negócios.

Ao longo de mais de 20 anos de carreira em tecnologia, ela viu empresas migrarem de uma lógica centrada em processos internos para um modelo focado no cliente. Participou da expansão dos sistemas de gestão empresarial, da popularização da internet, da consolidação do CRM e, agora, acompanha uma nova virada: a chegada da inteligência artificial às decisões estratégicas das organizações.

"A IA não é tecnologia. Ela é estratégica", afirma.

Da era dos ERPs à economia da experiência

Quando Andréia iniciou sua trajetória profissional, o foco das empresas estava na eficiência operacional.

A prioridade era implantar sistemas capazes de controlar processos internos, como compras, vendas, estoque e recursos humanos. Com o avanço da internet e o aumento da concorrência, esse cenário começou a mudar e as empresas passaram a entender que não bastava ter um bom produto — era preciso construir relacionamento.

Foi nesse contexto que o CRM ganhou protagonismo. A atenção saiu dos processos internos e passou a acompanhar toda a jornada do cliente, desde o primeiro contato com a marca até a fidelização.

"Eu vivi esse movimento. Vi as empresas deixarem de olhar apenas para dentro e começarem a responder às necessidades dos clientes", conta.

Para ela, essa transformação foi um dos marcos mais relevantes da história recente dos negócios — e ajuda a explicar por que a inteligência artificial precisa ser analisada além da perspectiva tecnológica.

O erro de tratar a IA apenas como ferramenta

Ao trabalhar com empresas de diferentes setores, Andréia percebeu que a adoção da inteligência artificial acontece em ritmos distintos.

Enquanto alguns executivos enxergam a tecnologia como oportunidade de produtividade e escala, colaboradores e parceiros ainda manifestam preocupações legítimas sobre o impacto da IA nas relações de trabalho. 

Na outra ponta, está um cliente cada vez mais tecnológico, omnichannel e exigente, que espera personalização, agilidade e atendimento em múltiplos canais, mas não abre mão da interação humana quando ela é necessária.

Na visão da executiva, o maior erro é limitar a conversa às ferramentas disponíveis no mercado.

"Meus clientes não me procuram para falar de plataformas. Eles querem entender os impactos estratégicos, financeiros, organizacionais, reputacionais e até regulatórios dessa transformação", afirma.

Andréia Forchito, Senior Digital Solution Manager da Capgemini

Segundo ela, a inteligência artificial já deixou de ser um tema restrito às áreas técnicas e passou a ocupar espaço nas discussões de liderança, governança e crescimento empresarial.

O curso que ampliou a conversa com CEOs e conselhos

Foi justamente para aprofundar essa visão que Andréia decidiu ingressar no PIACC (Programa de Inteligência Artificial para C-Levels, Conselheiros e Acionistas), da Saint Paul Escola de Negócios.

A formação foi criada para executivos, conselheiros e líderes empresariais que precisam incorporar a inteligência artificial à estratégia corporativa. O programa aborda temas como cultura de dados, IA generativa, liderança, ética, governança, cibersegurança, LGPD e implementação de projetos de IA.

Segundo Andréia, a decisão de cursar o programa nasceu de uma necessidade prática.

Ela percebeu que os clientes já não buscavam apenas orientações sobre tecnologia. As perguntas passaram a envolver impactos sobre governança, competitividade, cultura organizacional e tomada de decisão.

"Eu precisava aprofundar os questionamentos que levava para executivos e conselhos. Não era mais uma conversa sobre ferramentas. Era uma conversa sobre transformação dos negócios"Andréia Forchito, Senior Digital Solution Manager da Capgemini

Outro diferencial destacado por ela foi o contato com profissionais de diferentes áreas e setores.

As discussões em sala reuniam executivos, CEOs, CFOs e lideranças com experiências distintas, ampliando a compreensão sobre os desafios da inteligência artificial em diferentes contextos empresariais.

Sem dados estruturados, a IA amplia a ineficiência

Entre os aprendizados que Andréia leva para os projetos que conduz atualmente está uma constatação simples: a inteligência artificial não corrige problemas estruturais.

Segundo ela, muitas organizações tentam acelerar a adoção de IA sem antes resolver questões fundamentais relacionadas à qualidade dos dados e à maturidade dos processos.

"Para implementar inteligência artificial de forma efetiva, a empresa precisa ter dados estruturados e processos definidos. Caso contrário, ela apenas potencializa a ineficiência que já existe", explica.

Por isso, parte importante do seu trabalho consiste em ajudar empresas a dar um passo atrás antes de avançar.

Em muitos casos, o desafio não está na escolha da ferramenta, mas na preparação necessária para que ela gere valor real.

A habilidade que continuará valendo no futuro

Quando questionada sobre qual competência será indispensável nos próximos anos, Andréia responde sem hesitar: aprendizado contínuo.

Para ela, a velocidade das transformações tecnológicas tornou impossível prever exatamente como será o mercado daqui a dois ou três anos. O que pode ser previsto é a necessidade permanente de atualização — tanto para profissionais quanto para empresas.

Segundo a executiva, a inteligência artificial está obrigando organizações a revisitar questões que antes pareciam consolidadas.

"Hoje a IA já cria produtos, experiências e serviços. Isso faz as empresas se perguntarem se aquilo que produzem continuará relevante, se o posicionamento da marca ainda faz sentido e se o valor que entregam continuará sendo percebido pelo mercado", afirma.

Na visão dela, a discussão deixou de ser apenas tecnológica. O desafio passa a ser estratégico. Organizações precisarão revisar constantemente seus modelos de negócio, diferenciais competitivos e formas de relacionamento com clientes em um cenário em que a tecnologia avança em velocidade inédita.

O mesmo vale para os profissionais. "Não sabemos exatamente o que vem pela frente. Mas sabemos que precisamos continuar aprendendo e evoluindo", afirma.

Depois de acompanhar algumas das maiores transformações tecnológicas das últimas décadas, Andréia mantém uma visão otimista sobre a inteligência artificial.

Ela acredita que a tecnologia terá papel relevante na produtividade, na saúde, na sustentabilidade e na qualidade de vida. Mas faz uma ressalva importante: os resultados dependerão menos das máquinas e mais da capacidade humana — e empresarial — de utilizá-las com propósito, responsabilidade e visão estratégica.

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