Ciência

Cientistas sugerem que Via Láctea tenha 'engolido' galáxia escondida

Pesquisadores analisaram estrelas antigas e encontraram evidências de um “fantasma galáctico” escondido dentro da nossa galáxia

Via Láctea: Descoberta pode ajudar cientistas a entender como a nossa galáxia cresceu ao longo de bilhões de anos (Divulgação/ESO/Divulgação)

Via Láctea: Descoberta pode ajudar cientistas a entender como a nossa galáxia cresceu ao longo de bilhões de anos (Divulgação/ESO/Divulgação)

Publicado em 17 de maio de 2026 às 06h02.

A Via Láctea pode estar escondendo os restos de uma antiga galáxia em seu interior. Um estudo publicado na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society sugere que nossa galáxia engoliu uma pequena galáxia anã bilhões de anos atrás durante os estágios iniciais de sua formação.

Galáxia 'camuflada' na Via Láctea

Os pesquisadores apelidaram essa possível galáxia perdida de “Loki”, em referência ao deus nórdico conhecido por sua natureza enganadora. Segundo a investigação, os vestígios dela ainda estariam misturados às estrelas da própria Via Láctea, como um fóssil cósmico escondido em plena vista.

A descoberta foi feita após a análise de 20 estrelas extremamente pobres em metais localizadas no plano galáctico da Via Láctea. Astrônomos usam o termo “metais” para definir elementos mais pesados que hidrogênio e hélio. Quanto menos metais uma estrela possui, mais antiga ela tende a ser, já que nasceu em um universo ainda pouco enriquecido por explosões estelares.

Os cientistas perceberam que essas estrelas tinham assinaturas químicas incomuns, associadas a eventos violentos como supernovas e colisões de estrelas de nêutrons. No entanto, havia uma ausência importante: sinais de explosões de anãs brancas, fenômeno que costuma aparecer em galáxias mais maduras. Isso levou os pesquisadores à hipótese de que essas estrelas vieram de uma galáxia bem antiga e de vida curta.

“Normalmente, as estrelas no disco são ricas em metais e mais jovens, como o Sol”, explicou Federico Sestito, astrofísico da Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, e principal autor da pesquisa. “Enquanto as estrelas que estudamos são antigas e muito pobres em metais, como nas galáxias anãs.”

Fusão foi em um momento 'caótico'

Outro detalhe chamou a atenção da equipe. Parte dessas estrelas orbita na mesma direção da rotação da Via Láctea, enquanto outras seguem no sentido contrário. Para os autores, isso pode indicar que a fusão entre Loki e a Via Láctea aconteceu em uma época extremamente caótica do universo, quando nossa galáxia ainda estava se formando.

A pesquisa reforça a ideia de que grandes galáxias cresceram “devorando” estruturas menores ao longo do tempo. Esse processo, conhecido como acreção galáctica, é considerado um dos pilares da formação do universo moderno. Estudos anteriores já haviam encontrado sinais de outras “galáxias fósseis” dentro da Via Láctea, mas Loki parece possuir características diferentes das observadas anteriormente.

Embora os pesquisadores afirmem que ainda são necessários conjuntos maiores de dados para confirmar totalmente a existência de Loki, o achado pode mudar a forma como entendemos a história da Via Láctea. Mais do que um simples aglomerado de estrelas, nossa galáxia pode ser um enorme cemitério cósmico formado pelos restos de mundos antigos consumidos ao longo de bilhões de anos.

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