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Cientistas descobrem nova cobra e fazem homenagem inusitada à lenda do rock

Batizada de Lielaphis slashi, espécie encontrada na Nova Guiné homenageia o guitarrista Slash, do Guns N' Roses, apaixonado por répteis desde a infância

Lielaphis slashi: cobra de coloração marrom-avermelhada pode chegar a cerca de 71 centímetros (Chris Austin/Zootaxa)

Lielaphis slashi: cobra de coloração marrom-avermelhada pode chegar a cerca de 71 centímetros (Chris Austin/Zootaxa)

Publicado em 20 de setembro de 2026 às 06h52.

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Uma nova espécie de cobra descoberta na Nova Guiné recebeu o nome de Slash, guitarrista do Guns N' Roses. Batizada de Lielaphis slashi, a serpente tem cerca de 71 centímetros, coloração marrom-avermelhada e não representa perigo grave para seres humanos.

A homenagem está relacionada à paixão de longa data do músico por cobras e outros répteis. Slash, cujo nome é Saul Hudson, se interessa por esses animais desde a infância e também apoia zoológicos, museus e instituições de história natural.

A espécie foi descrita por pesquisadores do Field Museum e de outras instituições em um estudo publicado na revista científica Zootaxa. Análises genéticas, características físicas e informações sobre seu habitat permitiram diferenciá-la de outras serpentes semelhantes.

Por que nova espécie de cobra recebeu o nome de Slash

A escolha partiu de Sara Ruane, curadora associada de herpetologia do Field Museum e uma das autoras do estudo. Além de acompanhar o Guns N' Roses desde a infância, a pesquisadora conhecia o interesse de Slash por répteis. Aos 12 anos, ela recebeu uma edição da revista Reptiles que trazia o guitarrista na capa segurando sua píton-reticulada de estimação.

Anos depois, já trabalhando como herpetóloga, Ruane voltou a uma antiga entrevista do músico e encontrou referências ao interesse dele por cobras, museus, zoológicos e história natural.

Quando surgiu a oportunidade de nomear uma espécie recém-identificada, a pesquisadora decidiu homenageá-lo. O nome científico escolhido foi Lielaphis slashi.

Foto: Sara Ruane. (Sara Ruane)

DNA revelou que cobra pertencia a espécie desconhecida

O animal que deu origem à descrição científica foi encontrado durante um trabalho de campo realizado em 2006 nas florestas da Nova Guiné. À primeira vista, a serpente não parecia diferente o suficiente para ser considerada uma espécie ainda desconhecida. As análises posteriores, porém, revelaram características que permitiram separá-la de outros integrantes do gênero Lielaphis.

Os pesquisadores utilizaram diferentes análises genéticas e encontraram diferenças no DNA. Também compararam características físicas, como a quantidade de escamas, e recorreram à modelagem ecológica.

Os resultados indicaram ainda que Lielaphis slashi apresenta preferência de habitat diferente daquela observada em serpentes semelhantes. A combinação dessas evidências levou à descrição formal da nova espécie.

O que se sabe sobre a cobra Lielaphis slashi

Os cientistas ainda têm poucas informações sobre o comportamento e a ecologia da nova espécie, já que observar serpentes na natureza antes que elas escapem é difícil.

Sua anatomia, entretanto, oferece algumas pistas sobre a alimentação. A pesquisadora explica que cobras desse gênero possuem dentes grandes na parte traseira da boca, que podem ser utilizados para agarrar pequenos lagartos de escamas lisas e ovos de outros répteis.

Além disso, a Lielaphis slashi não mata suas presas por constrição, como fazem jiboias. A espécie também não produz veneno capaz de provocar danos graves em seres humanos. Essas cobras terrestres têm hábitos noturnos e costumam ser encontradas pouco depois do pôr do sol, próximas à base de grandes árvores enquanto procuram alimento.

Florestas da Nova Guiné enfrentam perda de habitat

A Nova Guiné, segunda maior ilha do mundo depois da Groenlândia, é dividida entre a Indonésia e Papua-Nova Guiné e abriga uma grande diversidade de espécies ainda pouco documentadas.

As áreas onde Lielaphis slashi ocorre enfrentam pressões relacionadas a atividades como cultivo de café e mineração, segundo os pesquisadores. De acordo com Ruane, a descrição formal de espécies permite documentar quais animais vivem nesses ecossistemas e compreender melhor sua distribuição antes que mudanças no habitat dificultem esse trabalho.

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