Ornitorrinco: animal apresenta característica inédita e surpreende cientistas (Getty Images)
Redatora
Publicado em 21 de março de 2026 às 06h35.
O ornitorrinco voltou a chamar a atenção da ciência após um novo estudo identificar uma característica incomum em sua melanina, pigmento responsável pela coloração da pele e dos pelos. A descoberta foi publicada na revista científica Biology Letters e aponta a presença de estruturas raras em mamíferos.
Conhecido por reunir traços de diferentes animais, o ornitorrinco é um mamífero que põe ovos e vive na Austrália e na Tasmânia. Com a nova descoberta, a pesquisa indica que sua composição celular apresenta elementos até então associados principalmente às aves.
A melanina é formada por pigmentos que desempenham funções como proteção contra radiação ultravioleta, regulação térmica e definição de cor. Essas substâncias ficam armazenadas em estruturas chamadas melanossomas, cuja forma influencia a tonalidade observada.
Nos mamíferos, essas estruturas pigmentares costumam ser completamente preenchidas. Já nas aves, algumas podem ser ocas ou achatadas, o que influencia a forma como a luz é refletida.
De acordo com o estudo, o ornitorrinco apresenta melanossomas com características incomuns. Apesar de a maioria ser esférica — o que normalmente indicaria coloração mais clara —, o animal possui pelagem escura.
Além disso, os pesquisadores identificaram melanossomas ocos, algo considerado raro em mamíferos e mais frequente em aves. À AFP, a autora do estudo, a bióloga Jessica Leigh Dobson, destacou que esse tipo de estrutura nunca havia sido observado dessa forma nesse grupo de animais.
A análise também apontou que esses elementos estão distribuídos de forma irregular e não geram efeitos visuais como iridescência.
Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é que essas estruturas possam estar ligadas à adaptação ao ambiente aquático. O ornitorrinco é um animal semiaquático, e os melanossomas ocos podem contribuir para isolamento térmico.
A origem dessa característica ainda não foi confirmada. Cientistas indicam que novos estudos serão necessários para entender como e por que essas estruturas surgiram.