No acumulado do ano, as exportações somaram US$ 284,65 bilhões (alta de 10,4%) e as importações totalizaram US$ 222,26 bilhões (alta de 5%) (Amanda Perobelli/Reuters)
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Publicado em 14 de outubro de 2026 às 21h00.
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 62,40 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, alta de 34,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que apontou o crescimento das exportações como principal fator para o resultado.
No acumulado do ano, as exportações somaram US$ 284,65 bilhões (alta de 10,4%) e as importações totalizaram US$ 222,26 bilhões (crescimento de 5%), elevando a corrente de comércio para US$ 506,91 bilhões.
Entre os mercados compradores, a China cresceu 12% (US$ 84,68 bilhões) e a União Europeia avançou 20% (US$ 44,15 bilhões). Contudo, Julio Carelli, CSO e co-fundador da Formadores de Mercado, pondera: "o motor principal foi o petróleo [...] O agravamento da guerra no Oriente Médio elevou os preços médios do barril. Ou seja, boa parte do saldo veio de preço, e não apenas de volume".
No mesmo sentido, a economista e delegada do Corecon-SP, Natalie Verndl destaca que "o crescimento do superávit se explica principalmente pelo avanço das exportações, que crescem em ritmo superior ao das importações", impulsionadas por commodities e pela indústria de transformação.
Desempenho de setembro e avanço em outubro
Em setembro, o superávit chegou a US$ 7,74 bilhões (alta de 146,4%). As exportações cresceram 12,9% (US$ 34,42 bilhões), puxadas por petróleo bruto, minério de cobre, farelos de soja e combustíveis, enquanto as importações recuaram 2,4% (US$ 26,68 bilhões).
Dando continuidade ao trimestre, a balança comercial registrou superávit de US$ 3,48 bilhões nas duas primeiras semanas de outubro, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC). O valor é resultado de exportações de US$ 12,99 bilhões e importações de US$ 9,51 bilhões em um período de 7 dias úteis.
Para Julio Carelli, a queda nas importações de bens de capital e intermediários "amplia o saldo, mas também pode sinalizar menor ritmo de investimento produtivo no País". Natalie Verndl reforça que "um superávit elevado não significa, necessariamente, maior dinamismo da economia", podendo refletir a desaceleração interna e juros altos.
Perspectivas para o fim do ano
Apesar do cenário, o MDIC revisou para baixo a projeção de superávit para 2026, de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões (com exportações de US$ 382,5 bilhões e importações de US$ 298,1 bilhões).
Para Carelli, a mudança "confirma exatamente essa dependência: bastou uma expectativa de petróleo mais barato para o governo cortar mais de US$ 5 bilhões da projeção". Natalie Verndl aponta que o principal desafio de curto prazo é monitorar a demanda internacional e os preços das matérias-primas, concluindo que o foco real deve ser "ampliar a competitividade e a diversificação das exportações, reduzindo a dependência de produtos primários".
Em relação ao cenário econômico, vale lembrar que o Produto Interno Bruto (PIB) pela ótica da demanda/despesa é composto pela soma do consumo, dos investimentos, dos gastos do governo e das exportações líquidas (vendas ao exterior menos compras de fora); assim, as exportações entram diretamente nesse cálculo porque refletem a riqueza e a produção gerada dentro do território nacional que encontram demanda global, impulsionando a atividade interna sempre que os preços e volumes externos colaboram.