Redatora
Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 20h46.
O consumo moderado diário de café e chá com cafeína foi associado a menor risco de demência e a sinais de melhor preservação da função cognitiva, segundo um estudo conduzido por pesquisadores do Mass General Brigham, da Harvard T.H. Chan School of Public Health e do Broad Institute, afiliado ao MIT e Harvard. Os resultados foram publicados na revista científica JAMA.
A pesquisa aponta que a relação observada envolve um efeito pequeno e que a proteção da saúde do cérebro depende de vários fatores além da alimentação, como hábitos de vida e acompanhamento médico.
O estudo foi baseado em dados de longo prazo do Nurses’ Health Study e do Health Professionals Follow-Up Study, dois grandes acompanhamentos populacionais usados com frequência em pesquisas sobre saúde. Os participantes foram acompanhados por até 43 anos, com avaliações repetidas sobre dieta e indicadores de desempenho cognitivo.
Ao todo, mais de 130 mil pessoas foram incluídas na análise, e 11.033 desenvolveram demência durante o período. Entre homens e mulheres, o maior consumo de café com cafeína foi associado a um risco 18% menor da doença em comparação com quem relatou pouco ou nenhum consumo.
Segundo os pesquisadores, os resultados mais consistentes apareceram entre participantes que consumiam diariamente 2 a 3 xícaras de café com cafeína ou 1 a 2 xícaras de chá. Nesse grupo, houve também menor prevalência de relatos de declínio cognitivo subjetivo.
Em algumas medidas, consumidores de café com cafeína também tiveram desempenho melhor em testes objetivos de função cognitiva geral. O estudo indica ainda que o maior consumo de chá apresentou resultados semelhantes.
A pesquisa comparou café com cafeína, chá e café descafeinado para entender se havia diferenças na relação com demência e declínio cognitivo. No recorte analisado, o descafeinado não apresentou o mesmo tipo de associação observado com bebidas cafeinadas.
Os pesquisadores também avaliaram se os resultados mudavam entre pessoas com diferentes predisposições genéticas para demência. Segundo os autores, o padrão se manteve, sugerindo que a relação observada foi semelhante em participantes com maior e menor risco genético.
Apesar dos achados, os cientistas destacam que a prevenção da demência depende de um conjunto de estratégias e que, atualmente, os tratamentos disponíveis costumam oferecer benefício limitado após o início dos sintomas. Por isso, o estudo reforça o interesse em fatores de estilo de vida, como dieta, dentro das discussões sobre envelhecimento saudável.