Ciência

O que é pancreatite? Entenda o risco das canetas emagrecedoras

Inflamação do pâncreas pode ser grave; alerta envolve remédios injetáveis usados para diabetes tipo 2 e perda de peso

Canetas emagrecedoras: medicamento bimagrumabe combinado à semaglutida aumentou a perda de gordura e manteve a massa muscular em estudo clínico (Freepik)

Canetas emagrecedoras: medicamento bimagrumabe combinado à semaglutida aumentou a perda de gordura e manteve a massa muscular em estudo clínico (Freepik)

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 15h46.

A pancreatite é uma inflamação do pâncreas que pode evoluir rapidamente e se tornar grave. A doença voltou ao centro das discussões após a Anvisa reforçar, na última segunda-feira, 9, o alerta sobre os riscos do uso indevido de medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, que é o caso de Ozempic, Mounjaro e similares.

No Brasil, entre 2020 e 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos associados a esse tipo de medicamento. As autoridades também apuram se seis mortes podem ter relação com o uso das injeções. O órgão destaca que a chance de complicações aumenta quando os remédios são usados fora das indicações aprovadas — sobretudo para emagrecimento sem necessidade clínica.

O que são as canetas emagrecedora?

O termo caneta emagrecedora é usado para se referir a uma classe de medicamentos injetáveis que inclui substâncias como semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida. Elas imitam a ação do hormônio GLP-1, produzido pelo intestino e ligado ao controle da glicose e à sensação de saciedade.

Além de estimular a liberação de insulina quando o açúcar no sangue está alto, esse mecanismo também reduz o apetite e retarda o esvaziamento do estômago. Embora tenham sido desenvolvidos inicialmente para tratar diabetes tipo 2, alguns passaram a ter indicação também para perda de peso, desde que com prescrição e acompanhamento médico.

Sintomas de pancreatite: quando procurar atendimento

A pancreatite costuma provocar dor abdominal intensa e persistente, muitas vezes na parte superior da barriga, podendo irradiar para as costas. Outros sinais comuns incluem náuseas, vômitos e febre.

O quadro pode ser perigoso porque ocorre quando enzimas digestivas passam a atuar dentro do próprio pâncreas, causando lesão do órgão e inflamação. Em casos mais graves, essas substâncias podem atingir a corrente sanguínea e desencadear complicações em outras partes do corpo.

Diante de sintomas compatíveis, a orientação é buscar atendimento médico imediatamente. Se houver confirmação do diagnóstico, o uso do medicamento deve ser interrompido sob orientação profissional.

Pancreatite aguda e crônica: qual a diferença?

A doença pode se manifestar de duas formas principais:

  • Pancreatite aguda: surge de maneira repentina e dura alguns dias, podendo ser grave se não houver tratamento rápido.
  • Pancreatite crônica: se desenvolve ao longo dos anos, com crises recorrentes e perda progressiva da função pancreática.

Em geral, as causas mais comuns da pancreatite aguda incluem cálculos biliares (pedras na vesícula) e consumo excessivo de álcool. Já na forma crônica, o abuso de álcool aparece como principal fator associado.

Para que serve o pâncreas?

O pâncreas é um órgão pequeno, localizado na parte superior do abdômen, abaixo do estômago. Ele tem funções essenciais para o corpo, principalmente:

  • produção de hormônios como insulina e glucagon, ligados ao controle da glicose;
  • liberação de enzimas digestivas, como amilase, lipase e tripsina, usadas na digestão.

Por isso, quando o pâncreas inflama, o impacto pode atingir tanto o metabolismo quanto o sistema digestivo.

A Anvisa recomenda que reações adversas relacionadas ao uso desses medicamentos sejam registradas no VigiMed, sistema oficial de notificação. O objetivo é reforçar o monitoramento de segurança, uma vez que esse tipo de tratamento se popularizou no país nos últimos anos.

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