Ciência

Astronauta usa iPhone para capturar 'desaparecimento' da Terra atrás da Lua

Reid Wiseman, comandante da missão Artemis II, publicou no domingo, 19, um vídeo bruto e sem edição captado por celular durante o sobrevoo lunar

Lua: astronauta divulgou vídeo da Terra sumindo atrás do satélite (Nasa/Divulgação)

Lua: astronauta divulgou vídeo da Terra sumindo atrás do satélite (Nasa/Divulgação)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 20 de abril de 2026 às 07h23.

Priorizar nos meus resultados Google

Era 6 de abril, e a Terra estava sumindo. Não da forma que os astrônomos descrevem em livros, mas literalmente, deslizando devagar atrás do horizonte da Lua, vista a mais de 250 mil milhas de distância, pelo visor de uma escotilha de acoplamento que mal cabia um celular.

O astronauta Reid Wiseman estava lá. Comandante da missão Artemis II, veterano de guerra, piloto de caça, pai de duas filhas — um homem acostumado a situações extremas. E mesmo assim, naquele momento, ele fez o que qualquer pessoa no planeta faria: tirou o iPhone do bolso e filmou.

"Uma única chance nessa vida", escreveu ele ao publicar o vídeo neste domingo, 19, em seu perfil no X (antigo Twitter). Ao lado, Christina Koch disparava uma Nikon D5 com lente de 400mm em sequências técnicas de exposição. Victor Glover e Jeremy Hansen colaram o rosto na janela 3. E Wiseman, do único ângulo que o iPhone alcançava, gravou tudo — sem corte, sem edição, com o som do obturador da Nikon ao fundo como trilha involuntária.

"Como ver um pôr do Sol na praia", ele escreveu, "mas do assento mais estranho do cosmos."

O retorno dos humanos

A Artemis II foi a primeira missão tripulada a sobrevoar a Lua desde a Apollo 17, em 1972.

A bordo da espaçonave Orion — batizada de Integrity pela tripulação — estavam os astronautas da Nasa Reid Wiseman (comandante), Victor Glover (piloto) e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense. O lançamento aconteceu em 1º de abril, às 18h35, no horário de Brasília, a partir da plataforma 39B do Kennedy Space Center, na Flórida, a bordo do foguete Space Launch System.

Em 6 de abril, a missão estabeleceu o novo recorde de maior distância percorrida por seres humanos a partir da Terra — 252.756 milhas —, superando a marca histórica da Apollo 13, de 1970. A tripulação pousou no Oceano Pacífico, próximo a San Diego, em 10 de abril, encerrando uma jornada de quase dez dias.

O momento em que a Terra desapareceu

O post de Wiseman descreve uma cena precisa. Enquanto ele filmava pelo visor da escotilha de acoplamento, Koch trabalhava com a Nikon D5 e uma lente zoom de 400mm, "disparando em sequências de três exposições em bracket". Glover e Hansen observavam juntos pela janela 3.

A foto oficial do Earthset, capturada por Koch, utilizou uma Nikon D5 com lente 80-400mm f/4.5-5.6 ajustada para 400mm, a f/8. A imagem foi registrada às 18h41 (horário de Brasília) do dia 6 de abril — a apenas três minutos antes de a Orion passar para o lado escuro da Lua e perder contato com a Terra por 40 minutos.

Na foto oficial da Nasa, uma Terra azul-acinzentada com nuvens brancas se põe atrás da superfície craterada da Lua. No lado iluminado do planeta, era possível distinguir as nuvens sobre a Austrália e a Oceania. Em primeiro plano, a cratera Ohm — com suas bordas em terraço e piso marcado por picos centrais — emoldurava a cena.

A herdeira do 'Earthrise' da Apollo 8

A imagem do Earthset evoca o icônico Earthrise, registrado pelos astronautas da Apollo 8 em 1968 — enquadrado de forma similar, mas com o movimento invertido: não a Terra nascendo, mas a Terra se pondo.

Os instrutores de fotografia que treinaram a tripulação — Paul Reichert e Katrina Willoughby, da Nasa — disseram ter ficado tão impressionados quanto o público com as imagens. A equipe recebeu cerca de 20 horas de instrução especializada antes do lançamento.

A bordo, além da Nikon D5, a tripulação levou uma Nikon Z9 mirrorless e um conjunto de lentes que incluía uma 14-24mm, uma 80-400mm e uma 35mm padrão.

Acompanhe tudo sobre:AppleLuaNasa

Mais de Ciência

Anvisa aprova importação de remédio experimental para Lito Sousa

Infarto atinge pacientes até 12 anos mais jovens em São Paulo, aponta estudo

Cientistas descobrem 200 mil barris radioativos no fundo do Oceano Atlântico

Elevador espacial: como cientistas querem ligar a Terra ao espaço por um cabo de 106 mil km