Valentino Garavani: estilista italiano morreu aos 93 anos (Fred Duval/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 14h50.
O estilista italiano Valentino Garavani, fundador da grife que leva seu nome, morreu aos 93 anos nesta segunda-feira, 19 de janeiro. A informação foi divulgada pela Fundação Valentino Garavani e Giancarlo Giammetti, entidade que leva o nome do estilista e de seu sócio de longa data. A causa da morte do artista e empresário não foi informada.
"Valentino Garavani faleceu hoje em sua residência em Roma, cercado por seus entes queridos", disse a empresa no Instagram.
O velório do estilista será realizado nesta quarta e quinta-feira, enquanto o funeral acontecerá em Roma nesta sexta-feira, 23 de janeiro, segundo informações da agência Reuters.
Reconhecido como um dos nomes mais relevantes da alta-costura no século XX, Valentino consolidou uma identidade visual marcada por um glamour de apelo internacional. A estética desenvolvida por ele influenciou desfiles, tapetes vermelhos e vestuário de cerimônias por décadas, com destaque para a presença constante do “Valentino red”, ou “vermelho Valentino”, cor que se tornou símbolo de sua assinatura criativa.
Nascido em 1932, na cidade de Voghera, norte da Itália, Valentino Clemente Ludovico Garavani iniciou sua trajetória profissional ainda jovem, movido pela inspiração do cinema clássico hollywoodiano. Após mudar-se para Paris, formou-se pela École des Beaux-Arts e pela Chambre Syndicale de la Couture, onde teve passagem por ateliês como os de Jean Dessès e Guy Laroche.
Em 1959, o estilista voltou à Itália e fundou seu primeiro estúdio na Via Condotti, em Roma. Na mesma época, conheceu Giancarlo Giammetti, com quem estruturou a maison Valentino. A estreia oficial da marca ocorreu em 1962, no Palazzo Pitti, em Florença, com forte recepção internacional e imediato reconhecimento da grife como representação do luxo italiano.
Ao longo dos anos 1960 e 1970, Valentino tornou-se o costureiro preferido de clientes como Jackie Kennedy Onassis, Sophia Loren e Elizabeth Taylor, além de integrantes da realeza europeia. Seu trabalho, frequentemente descrito por publicações como W Magazine e Harper’s Bazaar, moldou parte da percepção moderna da elegância italiana.
O repertório visual da marca inclui tecidos leves como chiffon, elementos como laços e flores, e contrastes cromáticos entre preto e branco. Sua abordagem é citada por críticos como uma combinação precisa entre teatralidade e estrutura técnica, refinada ao longo de sua formação.
Mesmo após sua aposentadoria, anunciada em 2008, o legado de Valentino foi mantido por nomes como Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli, que assumiram a direção criativa da marca. A dupla atualizou os códigos visuais da grife para novos públicos, sem abrir mão da narrativa artesanal que caracteriza sua origem.
O nome de Valentino permanece associado a um ideal de moda alinhado à exclusividade e ao trabalho manual, mantendo sua influência como um dos pilares da moda italiana na cena global.
Segundo o site italiano Money, Valentino tinha diferentes investimentos no setor imobiliário. Além da Villa La Vignola, em Roma, o estilista também era proprietário do Castelo de Wideville, próximo a Paris, um chalé na Suíça, em Gstaad, onde frequentava durante os invernos e apartamentos em Londres e Nova York.
As propriedades são avaliadas em mais de € 100 milhões, segundo o site. O patrimônio líquido do executivo gira em torno de US$ 1,5 bilhão.
Após a inesperada saída de Alessandro Michele como diretor criativo da Gucci em 2022, o estilista italiano assumiu o mesmo cargo na Valentino em 2024.
“É uma honra incrível. Sinto a imensa alegria e a enorme responsabilidade de ingressar em uma Maison de Couture que tem a palavra ‘beleza’ gravada em uma história coletiva feita de elegância distinta, refinamento e extrema graça”, disse o estilista em comunicado à época.
“Procuro palavras para nomear a alegria, para considerá-la, para realmente transmitir o que sinto; os sorrisos que brotam do peito, a felicidade da gratidão que ilumina os olhos, aquele momento precioso em que a necessidade e a beleza se estendem e se encontram. A alegria, porém, é uma coisa tão viva que tenho medo de machucá-la se me atrever a pronunciar seu nome.”
A escolha de Michele teve peso do CEO da Valentino, Jacopo Venturini. Os dois trabalharam juntos na Gucci, Michele ficou sete anos na direção criativa enquanto Venturini foi vice-presidente de merchandising e mercados globais.
Em 2023, o grupo Kering, também proprietário da Gucci, anunciou a compra de 30% de participação da Valentino, por 1,7 bilhão de euros. O acordo inclui uma opção para a Kering adquirir 100% do capital social da Valentino até 2028. A transação faz parte de uma parceria estratégica mais ampla entre a Kering e o fundo do Catar Mayhoola.
Fundada em Roma em 1960 por Valentino Garavani, a Valentino é uma das empresas mais reconhecidas internacionalmente.“Valentino é um das maiores autoridades italianas de luxo e estamos muito felizes em receber a Kering como parceira estratégica para o futuro desenvolvimento da Maison de Couture. Sob nossa administração, Valentino fortaleceu seus alicerces como uma marca de luxo altamente desejável e seguiremos reforçando a marca no próximo capítulo com Kering", disse Rachid Mohamed Rachid, CEO da Mayhoola e presidente da Valentino.
Com mais de seis décadas de história, a Valentino desenvolveu uma atraente oferta de prêt-à-porter, artigos de couro e acessórios. A marca italiana tem 211 lojas operadas diretamente em mais de 25 países.