Vista aérea do telhado caminhável do The Whale, cercado pelas ilhas rochosas e pelo mar da Noruega (Divulgação)
Jonalista colaborador
Publicado em 25 de agosto de 2026 às 06h54.
Na costa norte da Noruega, a cerca de 300 quilômetros do Círculo Polar Ártico, um museu dedicado inteiramente às baleias está em fase final de construção. Batizado de The Whale, o espaço fica em Andenes, na ilha de Andøya, e tem abertura confirmada para 4 de junho de 2027.
O projeto arquitetônico é assinado pela dinamarquesa Dorte Mandrup, que venceu o concurso internacional de design em 2019, após o desenvolvimento da ideia ter começado ainda em 2014. O financiamento público final foi garantido em novembro de 2024, o que permitiu à obra avançar para a etapa de acabamento.
A cobertura em pedra do museu remete ao dorso de uma baleia, envolta pela luz do entardecer na costa norueguesa (Divulgação)
O edifício se destaca pela cobertura curva, que emerge da paisagem rochosa e remete tanto ao dorso de uma baleia mergulhando quanto a uma onda em movimento. A estrutura foi projetada para sustentar o telhado sem nenhum pilar interno, o que permite que os ambientes internos mantenham contato visual direto com o mar e o céu ao redor. O teto também será aberto ao público, funcionando como um mirante caminhável com vista para o mar da Noruega, para as montanhas da região e, dependendo da época do ano, para o sol da meia-noite ou para a aurora boreal.
A localização não é aleatória. Andenes fica perto de Bleiksdjupet, um cânion submarino profundo que atrai baleias-de-esperma, baleias-jubarte, orcas e baleias-comuns durante praticamente todo o ano, o que já torna a região um dos destinos mais procurados do planeta para observação desses animais em seu habitat natural. O museu foi erguido ao lado de Ravnholmen, uma pequena ilha rochosa ligada ao continente por um quebra-mar, e nas proximidades do histórico Farol de Andenes, que guia embarcações desde 1859.
Escultura suspensa de baleia-jubarte no interior do The Whale, com vista para a baía de Andenes através dos painéis de vidro (Divulgação)
O conteúdo interno do museu foge do formato tradicional de centro de história natural. Entre as instalações estão esculturas de madeira em tamanho real de orcas conhecidas por circular nas águas norueguesas e uma galeria que reúne as cerca de 90 espécies de baleias e cetáceos existentes atualmente em uma única montagem artística. Há também um espaço batizado de Under the Skin, dedicado à anatomia desses animais, com potes contendo sangue de baleia, um teto revestido de barbatanas e ossos das costelas dispostos em formato de arco, lembrando abóbadas de catedrais góticas.
Outro destaque é uma sala de som imersiva, construída a partir das frequências reais dos cantos das baleias, algumas tão graves que provocam vibração perceptível no corpo de quem visita o ambiente. O projeto expositivo, assinado pelo escritório nova-iorquino Ralph Appelbaum Associates, também reserva espaço para a chamada Library of Relations, que trata da história da caça industrial de baleias na Noruega, incluindo seus impactos e consequências ao longo do tempo.
Embora a inauguração ainda esteja distante, a expectativa é de que a venda de ingressos comece já neste segundo semestre de 2026. O valor de entrada para adultos deve partir de 540 coroas norueguesas, o equivalente a cerca de R$ 300 na cotação atual. A proposta do museu é unir ciência, arte e narrativa em um único espaço, ampliando o roteiro de quem já viaja até Andenes em busca dos encontros com baleias em mar aberto.