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Mesa para três: o lugar de Novak Djokovic na história do tênis

Documentário da Prime Video confere o protagonismo que o jogador sérvio conquistou em quadra, ao lado de Federer e Nadal, mas nunca teve entre os torcedores

Novak Djokovic em imagem do filme: contra todos (Prime Video/Divulgação)

Novak Djokovic em imagem do filme: contra todos (Prime Video/Divulgação)

Ivan Padilla
Ivan Padilla

Editor de Casual e Especiais

Publicado em 24 de agosto de 2026 às 14h50.

Última atualização em 27 de agosto de 2026 às 15h42.

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Novak Djokovic nunca é lembrado nessas enquetes que vira e mexe aparecem nas redes sociais. O melhor forehand de todos os tempos? Não é o do tenista sérvio. Backhand? Também não. Saque, voleio? Nada. Nem mesmo em força mental ele é unanimidade. Há quem considere Rafael Nadal superior nesse quesito.

Ainda assim, trata-se do maior vencedor da história do tênis. Entre os homens, vale lembrar. Djoko tem 24 títulos de Grand Slam, mesmo número de Margareth Court. Também foi recordista em tempo como número um do mundo, com 428 semanas no topo, e títulos de Masters 1000, com 40 no total.

Como Djoko chegou lá, sem os melhores fundamentos, em um esporte que evolui tão rapidamente? São muitas as respostas, e a maioria está no documentário “Novak Djokovic: o Lobo no Inverno”, que tem o mérito de colocar o tenista sérvio no lugar em que os torcedores insistem em tirá-lo.

Entre Roger Federer e Rafael Nadal

Jogadores, técnicos e jornalistas especializados ajudam no filme a explicar por que Djokovic é um jogador excepcional. Uma de suas grandes habilidades é a capacidade enorme de se defender, e de passar para o ataque quando o oponente abre uma brecha ou encurta uma bola.

Djokovic só consegue ainda estar entre os top 10 do ranking da ATP aos 40 anos de idade pelo físico invejável. Sua habilidade atlética é sempre destacada, com a capacidade de mobilidade, velocidade, extensão.

O tenista sérvio joga hoje contra uma outra geração que não a sua. Quando ele começou, o mundo do tênis estava dividido em dois, Roger Federer de um lado, Rafael Nadal do outro. A polaridade sempre prevaleceu na modalidade. Bjorn Borg contra John McEnroe, Ivan Lendl e Boris Becker, Pete Sampras e André Agassi.

Nadal, um jogador intenso, de força admirável, um touro nas quadras. Federer, um jogador elegante, carismático, de fundamento perfeitos. O enredo estava pronto e ao agrado dos torcedores, quando Djokovic chegou ocupando, sem pedir licença nem por favor, seu lugar entre eles.

Houve um momento preciso em que a bolha do tênis percebeu que o sérvio havia chegado para ficar. Foi na semifinal do US Open de 2011, contra Roger Federer, em que ele virou um jogo em que perdia por dois sets a zero e precisou salvar dois match points. Federer já havia vencido então os cinco títulos do Grand Slam americano. Na final, Djokovic bateu Nadal.

Mesa para três, por favor.

Raiva como combustível

Djokovic fala de sua decisão de não se vacinar contra a covid. O documentário poderia ter trazido um contraponto à argumentação do tenista. O filme mostra ainda como a guerra do Kosovo impactou Djokovic na infância. Ele conta, por exemplo, um episódio em que a família preciso fugir correndo à noite, durante os bombardeios a Belgrado, em busca de abrigo, e ele se perdeu.

O tenista explica no filme o significado de uma palavra sérvia, inat. Segundo Djokovic, é quando todos estão contra você, e mesmo assim você usa essa força contra a seu favor.

Em um momento de sua vida, quase todos os recursos da família iam para a aposta na carreira do pequeno Djokovic. Até que, aos 12 anos, ele é enviado para a academia de Niki Pilic, na Alemanha, sem falar a língua, com dez marcos alemães, equivalente então a dez dólares. “Meu pai me disse: vou fazer o possível para você conseguir seu sonho, mas vou pedir apenas uma coisa: dedique-se 100%. Se não, acabou.”

Isso Djokovic fez. Sua dedicação ao esporte, ao condicionamento física, é invejável. E os resultados estão aí. O filme explora bem como o recém-chegado ao topo do tênis enfrentou a rejeição de um público que torcia por Federar ou por Nadal - e como ele usou isso a seu favor.

O ex-campeão Andre Agassi, seu técnico por dois anos, explica: “Djokovic precisa da escuridão para dar o melhor de si. Para ser eficiente, ele precisa da raiva, ou do medo. Com amor ou reconhecimento, ele perde as garras. As vaias do público despertam seu lado guerreiro.”

Isso é inat.

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