Repórter
Publicado em 25 de agosto de 2026 às 06h30.
Última atualização em 25 de agosto de 2026 às 06h42.
O governo federal prevê que o salário mínimo será de R$ 1.741 em 2027. A estimativa será incluída no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que deve ser enviado ao Congresso Nacional até 31 de agosto. O valor representa uma alta de R$ 120, ou 7,4%, sobre o piso atual, de R$ 1.621.
A nova projeção foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros integrantes da equipe econômica para fechar a proposta de Orçamento do próximo ano.
O valor ainda não é definitivo. O salário mínimo de 2027 será definido em dezembro, após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de novembro, indicador usado no cálculo do reajuste.
A política de valorização do salário mínimo considera a inflação acumulada em 12 meses até novembro e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Para 2027, entra no cálculo o desempenho da economia brasileira em 2025, quando o PIB cresceu 2,3%, segundo o IBGE.
A previsão de inflação também mudou desde a primeira estimativa do governo. Em abril, o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) projetava um salário mínimo de R$ 1.717 para 2027. A nova previsão de R$ 1.741 representa uma diferença de R$ 24.
O reajuste do salário mínimo também afeta despesas do governo vinculadas ao piso nacional. Entre elas estão aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Durigan afirmou que o governo não pretende desvincular os benefícios sociais do salário mínimo. Com isso, caso o piso de R$ 1.741 seja confirmado, os benefícios que têm o mínimo como referência também serão reajustados.
O salário mínimo tem peso relevante nas contas públicas porque serve de referência para uma série de despesas obrigatórias. Segundo estimativas do governo, cada R$ 1 de aumento no piso representa cerca de R$ 413,2 milhões a mais em despesas.
Na comparação com a projeção de R$ 1.717 apresentada em abril, os R$ 24 adicionais podem representar um impacto de aproximadamente R$ 9,9 bilhões nas despesas obrigatórias de 2027.
Apesar da revisão do salário mínimo, Durigan afirmou que a proposta de Orçamento para 2027 prevê superávit, ou seja, que as receitas do governo deverão superar as despesas no próximo ano.
Os R$ 1.741 ainda são uma estimativa. O valor definitivo dependerá do INPC acumulado até novembro e será conhecido apenas no fim de 2026.
Até lá, uma inflação diferente da projetada pelo governo pode alterar o cálculo e, consequentemente, o salário mínimo que entrará em vigor em janeiro de 2027.