Depois que a peça é pintada, a equipe do Tinta la Vida leva-a ao forno, que é devolvida ao cliente alguns dias depois, cheia de cores e pronta para uso (Divulgação/Divulgação)
Head of Design
Publicado em 10 de março de 2026 às 10h44.
As prateleiras exibem pilhas de pratos, canecas, cumbucas e objetos decorativos ainda crus — à espera de cor. Aventais vestem pais e filhos, grupos de amigos, casais, jovens e pessoas mais velhas. Todos concentrados, pincel na mão. Assim é a cena na unidade paulistana do Tinta la Vida, primeira cafeteria-ateliê do Brasil.
O programa é simples: o cliente escolhe a peça (a partir de R$ 108), senta-se à mesa, recebe cardápio, pincéis e tintas e pinta enquanto espera o pedido (Divulgação/Divulgação)
Criada em 2024, em Belo Horizonte, por Danielle Siqueira, a marca nasceu com a proposta de unir café e pintura em cerâmica em um mesmo programa. Hoje, além da capital mineira, já tem unidades em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em 2026, abre a segunda loja em Moema (SP) e prepara inaugurações em Brasília e Porto Alegre. A loja de Belo Horizonte também se mudará para um espaço maior e mais central. Florianópolis está no radar.
A empresa projeta faturamento anual de R$ 25 milhões. Só no primeiro semestre de 2026, a estimativa é alcançar R$ 13 milhões — salto significativo frente aos R$ 3,5 milhões de todo o ano anterior.
Danielle tem mais de dez anos de experiência na área da saúde, mas sempre soube que queria empreender. Antes do Tinta la Vida, teve uma empresa de festas. A ideia da cafeteria-ateliê surgiu a partir de um modelo visto em Barcelona — mas a proposta, aqui, não era simplesmente abrir um ateliê.
“Não é uma aula, não tem a rigidez de um curso. Nossa ideia é criar momentos, memórias. A pessoa entra aqui para comer bem, conversar, enquanto faz uma atividade manual diferente. É uma oportunidade para soltar a criatividade e ter um momento de lazer, de desconexão, e ainda criar um objeto novo para sua própria casa”, defende Danielle Siqueira.
Para estruturar o negócio, Danielle contratou professora particular e consultoria em cerâmica. Foram seis meses testando combinações de peças, tintas, esmaltação e queimas até validar todas as etapas do processo. A experiência precisava ser simples para o cliente, mas tecnicamente precisa nos bastidores.
Um dos primeiros obstáculos foi encontrar fornecedores capazes de produzir, em escala, as chamadas peças “biscoito” — aquelas que passam por uma primeira queima e ficam prontas para pintura. As fábricas brasileiras estavam habituadas a vender peças já esmaltadas. Adaptar a produção às necessidades do Tinta la Vida levava até 15 dias por lote.
Com o aumento da demanda e a expansão para outras capitais, a solução foi verticalizar: nasceu a Terra la Vida, fábrica própria em Ipatinga (MG). A operação garante autonomia, regularidade no suprimento e desenvolvimento de peças exclusivas.
Com os processos estruturados, Danielle formatou o modelo para franquias. A expansão veio, em parte, por pressão do público: dois meses após a abertura em BH, já havia pedidos por unidades em São Paulo e no Rio.
O programa é simples: o cliente escolhe a peça (a partir de R$ 108), senta-se à mesa, recebe cardápio, pincéis e tintas e pinta enquanto espera o pedido. O cardápio acompanha o momento — cafés especiais, pão de queijo mineiro assado na hora, pratos e bebidas que convidam à permanência.
Além de comer um pão de queijo recheado, beber cafés especiais (ou taças de vinho), cada cliente é convidado a deixar o celular de lado e viver uma experiência offline: pintar peças de cerâmica com tinta e pincel (Divulgação/Divulgação)
São cerca de 2 mil experiências por mês só na unidade de São Paulo. A maioria é agendada; nos fins de semana, a agenda costuma ficar completa.
Mais do que uma atividade manual, a proposta é criar presença. Danielle conta que, em Belo Horizonte, há pedidos de casamento e de namoro, mães que estampam os pés de recém-nascidos em pratinhos, reconciliações, encontros de família. Empresas também utilizam o espaço para dinâmicas de time, aniversários e eventos corporativos com cardápios personalizados.
Depois de pintada, a peça passa pela esmaltação manual, que garante o brilho, e segue para a segunda queima. Resfria, é finalizada e fica pronta para retirada cerca de 15 dias depois. A ansiedade é parte da experiência.
O Tinta la Vida, localizado no bairro Belvedere, em Belo Horizonte, é a primeira cafeteria-ateliê do país (Divulgação/Divulgação)
Para acompanhar esse processo, a empresa estuda desenvolver uma ferramenta com inteligência artificial que permita ao cliente monitorar, em tempo real, o status da peça.
Algumas obras acabam não sendo retiradas e são destinadas a um bazar beneficente, com doação para instituições.
Muitos clientes voltam. Criam conjuntos, presenteiam amigos, trazem familiares. Com a fábrica própria, a marca já pensa em desenvolver novas linhas e formatos de peças, ampliando as possibilidades criativas. O Tinta la Vida aposta em desacelerar. Criar algo que fica — na estante e na memória.
Tinta la Vida São Paulo
R. Fidalga, 643 - Pinheiros
De terça a domingo, de 10h às 22h
Tinta la Vida Belo Horizonte
R. Dicíola Horta, 77 - Vila da Serra
De terça a domingo, de 10h às 20h
Tinta la Vida Rio de Janeiro
Av. Armando Lombardi, 949 - Barra da Tijuca
De terça a domingo, de 10h às 22h