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O que realmente importa na hora de escolher um tênis de corrida

Com 15 milhões de praticantes no país, especialista explica o que considerar na hora da compra e quais erros evitar para reduzir risco de lesões

Tênis de corrida: os principais pontos a se considerar na hora da compra (Asics/Divulgação)

Tênis de corrida: os principais pontos a se considerar na hora da compra (Asics/Divulgação)

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 18 de fevereiro de 2026 às 06h56.

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A corrida está entre os esportes que mais crescem no Brasil. Em 2025, o país chegou a 15 milhões de corredores, dois milhões a mais do que no ano anterior, segundo dados do estudo "Por Dentro do Corre", realizado pela Olympikus em parceria com a Box 1824.

A popularização da prática ampliou a atenção aos equipamentos. A busca por "tênis de corrida" na internet cresceu 170% nos últimos cinco anos, de acordo com a consultoria Macfor. No entanto, com dezenas de lançamentos por ano, mesmo corredores que já não são iniciantes relatam dúvidas na hora de comprar um tênis para correr.

Para entender o que realmente importa na hora de comprar um tênis de corrida, a EXAME conversou com o fisioterapeuta esportivo Rafael Temoteo, presidente da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil). Segundo ele, não existe um "melhor modelo" para todas as pessoas. "A escolha precisa levar em consideração o perfil do corredor e os fatores mencionados anteriormente", diz.

Os quatro pilares para uma boa escolha de tênis

De acordo com Temoteo, existem quatro fatores principais que devem ser considerados na hora de comprar um tênis de corrida: anatomia do pé, biomecânica da corrida, experiência do corredor e conforto.

"Se você tem um pé largo e usa um tênis muito estreito, ele ficará apertado, podendo causar incômodo e até gerar pontos de atrito que levam à formação de calos. Por outro lado, se você tem um pé muito estreito e usa um tênis mais largo, o pé pode ficar folgado e instável dentro do calçado", diz o fisioterapeuta sobre a questão da anatomia.

A biomecânica, segundo Temoteo, vai muito além de entender se a pisada é reta, pronada ou supinada. Ele chama atenção para a forma de aterrissagem — antepé, mediopé ou retropé — e a cadência, que modificam a resposta do corpo ao impacto.

"O terceiro ponto que costumo considerar é a experiência e a velocidade do corredor. Corredores iniciantes não necessariamente precisam dos tênis mais caros; muitas vezes, precisam de modelos mais simples, que ofereçam segurança. Com o tempo, podem criar seu próprio critério de escolha", diz o fisioterapeuta.
Ele adiciona que os iniciantes precisam ter cautela com modelos com placas de carbono e voltados à performance. "Se você é iniciante e ainda corre em ritmo mais lento, não necessita desses 'super tênis'. Afinal, de que adianta ter uma Ferrari se você só pode andar a 60 km/h?", brinca.

Pisada perdeu peso como critério único de escolha

A indicação por tipo de pisada deixou de ser determinante nos últimos anos, diz Temoteo. "A cada dia, as grandes marcas produzem uma quantidade menor de modelos específicos para pés pronados ou supinados. Elas entenderam que não é papel delas interferir diretamente nesse aspecto", afirma.

No entanto, o fisioterapeuta ressalta que existem casos mais acentuados, "em que pode ser indicada uma abordagem específica. Por isso, a avaliação individual sempre será necessária".

E o amortecimento?

O amortecimento é um dos pontos mais valorizados pelo consumidor, mas não atua de forma isolada na prevenção de lesões. "Não temos evidências robustas que sustentem que o amortecimento do tênis, por si só, seja fundamental para isso", diz Temoteo.

"Sem dúvida, o impacto da corrida é um dos principais fatores associados às lesões, e precisamos absorvê-lo da melhor forma possível. No entanto, ao falar de amortecimento, devemos considerar vários aspectos: força muscular, biomecânica, coordenação e também o tipo de tênis", completa.

Usar o tênis errado pode machucar?

Segundo o fisioterapeuta, sim. E esses machucados variam desde problemas de pele, como bolhas e calos, até quadros mais graves de tendinopatia e fascite plantar, uma inflamação que causa dor na sola do pé, sobretudo na região do calcanhar.

Não só o tênis errado, como também o desgastado é um fator de risco para corredores. Temoteo alerta para o desgaste irregular no solado e a deformação do calçado, dois indicadores de perda de estrutura e estabilidade que, ao longo do tempo, podem induzir a lesões.

Ele explica que a vida útil do calçado depende do volume de uso e das características do material. Em média, a durabilidade varia entre 700 e 800 quilômetros, mas há variações conforme o modelo e o padrão de corrida do praticante.

Treinos diferentes precisam de tênis diferentes

O tipo de terreno influencia o modelo indicado. Tênis de corrida tradicionais são projetados para uso em superfícies regulares, como asfalto e esteira, que exigem maior absorção de impacto. Já para trilhas, o calçado precisa oferecer mais estabilidade e tração, com solado mais aderente aos diferentes tipos de solo, segundo Temoteo.

O cabedal também muda: em modelos de trilha, o material tende a ser mais resistente para suportar contato com pedras, raízes e climas diferentes, além de oferecer mais proteção ao pé.

Erros mais comuns na hora de comprar um tênis

Entre os erros mais frequentes na hora da compra, o fisioterapeuta aponta dois pontos recorrentes. O primeiro é associar maciez à capacidade de amortecimento. Segundo ele, a sensação de um tênis mais macio não significa, necessariamente, maior absorção de impacto.

O segundo equívoco é partir do pressuposto de que tênis leves são sempre melhores. "Quanto mais leve o modelo, menos componentes ele costuma ter. Isso pode exigir mais da musculatura do corredor e, se ela não estiver bem preparada, o risco de lesão pode aumentar", diz.

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