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Por que o dono da Patek Philippe quer manter a marca na família

Presidente e único dono da relojoaria suíça, avaliada em mais de US$ 10 bilhões, falou sobre herdeiros, receita e concorrência na prévia da maior exposição da marca, em Milão

Thierry Stern, presidente e único dono da Patek Philippe, que descartou a venda da marca e planeja passar o comando aos dois filhos (Reprodução/Patek Philippe)

Thierry Stern, presidente e único dono da Patek Philippe, que descartou a venda da marca e planeja passar o comando aos dois filhos (Reprodução/Patek Philippe)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 1 de outubro de 2026 às 11h52.

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O antigo Palazzo delle Scintille, pavilhão do bairro de CityLife, em Milão, recebe a partir desta sexta-feira, 2, cerca de 500 relógios e pêndulas da Patek Philippe, boa parte vinda do museu da marca em Genebra. Na prévia da mostra, na quarta-feira, 30, Thierry Stern, presidente e único dono da relojoaria, disse a jornalistas que a empresa seguirá com a família e que o comando deve passar, um dia, para os dois filhos.

O mais velho, Adrien, de 24 anos, acompanhava o pai no evento. Aos 56, Stern afirmou não ter um calendário para a transição, mas pretende deixar o cargo mais cedo do que o pai, que segundo ele ficou até perto dos 75 anos, sem se afastar totalmente da marca.

Quatro gerações

Philippe Stern

Philippe Stern, presidente honorário da Patek Philippe, morreu aos 87 anos (Divulgação/Patek Philippe)

Os Stern controlam a Patek desde 1932, quando os irmãos Charles e Jean Stern, donos da fabricante de mostradores Stern Frères, assumiram a manufatura. Henri Stern presidiu a empresa de 1958 a 1993, Philippe ocupou o posto até 2009 e Thierry está à frente desde então. Com a morte de Philippe, em 14 de junho, o filho passou a deter 100% das ações, condição que ele aponta como garantia de autonomia. "Ser independente me permite escolher meu próprio destino e minha própria estratégia", disse. Na avaliação do executivo, acionistas costumam olhar primeiro para o dinheiro.

A relojoaria aparece com frequência nas especulações sobre aquisições no luxo, e no ano passado ganhou circulação uma foto de Bernard Arnault e do filho Frédéric jantando com Stern. A sucessão também mobiliza outros grupos do setor. Em setembro, a Richemont, dona da Cartier e da Vacheron Constantin, nomeou Anton Rupert, de 39 anos, filho de Johann Rupert, vice-presidente não executivo do conselho, enquanto na LVMH os cinco filhos de Arnault, de 77 anos, ocupam cargos cada vez mais altos. Mesmo descartando a venda, Stern admitiu que os herdeiros podem firmar uma joint venture daqui a 20 anos, caso algum grupo desenvolva uma tecnologia relevante.

Receita em alta

Embora não divulgue balanços, a Patek teria crescido durante a desaceleração recente do luxo. Estimativas do Morgan Stanley e da LuxeConsult apontam receita de 2,5 bilhões de francos suíços em 2025, ante 1,8 bilhão de francos em 2022, e o valor da empresa é estimado em mais de US$ 10 bilhões. A produção prevista para este ano é de 75 mil relógios, volume que, segundo Stern, ainda gera dificuldade para atender aos pedidos. Ele contou ter aplicado mais de meio bilhão de francos do próprio bolso em um novo edifício da empresa, sem recorrer a bancos.

O crescimento das independentes de baixa produção, que hoje vendem peças na mesma faixa de preço, não preocupa o executivo. Ele vê parte dos novatos acelerando demais e lembra que a Patek levou um século para ter legitimidade para vender alta complicação em escala. "Quanto mais rápido você sobe, mais rápido você cai", afirmou. Joias seguem em aberto, já que a marca produz algumas peças e Stern diz não ser contra ampliar a categoria, embora tenha dúvidas sobre o efeito na imagem.

Milão como vitrine

A mostra, sétima edição da Watch Art Grand Exhibition e a primeira desde Tóquio, em 2023, é a maior da série iniciada em Dubai, em 2012. Gratuita, fica aberta até 18 de outubro em 2,9 mil metros quadrados e já soma 45 mil pré-inscrições. Segundo Stern, a ideia é apresentar a marca a um público que, em sua maioria, mal a conhece.

Entre as mais de 30 novidades com referências italianas está o 5978P-010, de platina, limitado a 120 unidades, que celebra os 85 anos da união entre calendário perpétuo e cronógrafo na marca. Duas versões do 5531G retratam Milão de dia e de noite em esmalte cloisonné, com cinco exemplares cada. A coleção feminina Gondolo Ladies First estreia com seis referências de ouro, movimento de quartzo e diamantes, com preços de US$ 37.510 a US$ 68.768.

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