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Essas são as profissões que estão lucrando ao vender conhecimento para treinar as IAs

Direito, medicina, programação e finanças estão entre as áreas em que profissionais podem contribuir para treinar e avaliar sistemas de inteligência artificial

Essas são as profissões que estão lucrando ao vender conhecimento para treinar as IAs

Essas são as profissões que estão lucrando ao vender conhecimento para treinar as IAs

Publicado em 1 de outubro de 2026 às 11h46.

Última atualização em 1 de outubro de 2026 às 11h47.

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O mercado de inteligência artificial criou uma função que pode parecer incomum: pagar profissionais para usar aquilo que já sabem para treinar e avaliar modelos de IA.

Em vez de desenvolver algoritmos, essas pessoas ajudam a determinar se uma resposta está correta, comparar diferentes soluções, criar problemas complexos ou identificar erros que um sistema automatizado não conseguiria perceber sozinho.

A demanda é especialmente relevante em áreas nas quais conhecimento especializado faz diferença. Direito, medicina, engenharia, programação, finanças e ciências estão entre os campos que aparecem nesse tipo de trabalho.

O conhecimento profissional pode se transformar em uma nova fonte de renda.

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Como profissionais ajudam a treinar uma inteligência artificial

Um modelo de IA não aprende apenas com grandes volumes de textos. No processo de treinamento e pós-treinamento, empresas também precisam de pessoas capazes de avaliar a qualidade das respostas produzidas pelos sistemas.

Um advogado, por exemplo, pode receber duas respostas de um modelo sobre determinado conceito jurídico e indicar qual delas é mais precisa. Um programador pode analisar um código criado pela IA e apontar erros. Um profissional de finanças pode avaliar se uma análise de investimento faz sentido.

Esse trabalho fornece aos desenvolvedores sinais usados para melhorar o comportamento dos modelos.

A OpenAI, por exemplo, mantém uma iniciativa para reunir profissionais com pelo menos cinco anos de experiência em trabalhos de conhecimento. A empresa afirma que esses especialistas podem participar de projetos destinados a avaliar sistemas de IA e contribuir com informações sobre diferentes áreas profissionais.

Não é apenas responder perguntas para um chatbot

Há diferentes tipos de atividades nesse mercado. Entre elas estão:

Avaliação de respostas: comparar resultados e identificar qual atende melhor aos critérios definidos

Criação de dados: elaborar perguntas, respostas e exemplos usados no treinamento

Testes de capacidade: criar problemas que verificam o que um modelo consegue fazer

Red teaming: tentar encontrar falhas, comportamentos inadequados ou vulnerabilidades

Avaliação especializada: analisar respostas que exigem conhecimento de determinada profissão

O objetivo é transformar conhecimento humano em dados de treinamento e avaliação que possam ser utilizados no desenvolvimento dos modelos.

A própria OpenAI possui uma vaga de especialista em banco de investimento voltada a traduzir práticas profissionais em requisitos de produto, avaliações e sinais de treinamento para sistemas de IA.

Por que especialistas podem receber mais

O avanço dos modelos também aumentou a necessidade de tarefas que não podem ser resolvidas apenas com classificação simples de dados.

Para uma questão matemática básica, por exemplo, pode ser relativamente simples verificar se uma resposta está correta. Já avaliar uma análise financeira, uma decisão médica ou uma peça jurídica pode exigir experiência profissional.

O Financial Times relatou em 2025 que empresas de IA estavam ampliando a contratação de especialistas em áreas como biologia, finanças e física para produzir dados mais sofisticados para modelos de raciocínio.

Plataformas especializadas também anunciam trabalhos para profissionais que avaliam modelos, criam benchmarks e produzem dados de treinamento. Uma delas, a Aced, informa faixas de pagamento que podem superar US$ 100 por hora em determinados projetos especializados. Esses valores são divulgados pela própria plataforma e não representam remuneração garantida.

Isso não significa que qualquer profissional consiga enriquecer treinando IA. A remuneração varia conforme especialidade, experiência, projeto, localização e critérios de seleção.

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O conhecimento profissional ganha outro valor

A mudança também altera o tipo de conhecimento procurado pelas empresas de IA.

Saber utilizar um chatbot é uma habilidade. Já conseguir julgar a qualidade de uma resposta, identificar uma inconsistência e explicar como uma tarefa deveria ser executada exige domínio sobre o assunto.

Por isso, experiência acumulada em uma profissão pode ter utilidade mesmo para quem nunca trabalhou diretamente com tecnologia.

O movimento também aparece dentro das próprias empresas de IA. A Anthropic mantém funções relacionadas a dados humanos, avaliações de modelos e especialistas de diferentes áreas em sua estrutura de pesquisa e desenvolvimento.

Como esse mercado pode funcionar na prática

Um profissional interessado nesse tipo de trabalho normalmente precisa demonstrar sua formação e experiência na área em que pretende atuar.

Os projetos podem ser temporários, por hora ou vinculados a determinadas tarefas. Algumas plataformas funcionam como intermediárias entre especialistas e empresas que desenvolvem sistemas de IA.

É importante verificar quem oferece o trabalho, quais são os critérios de seleção, como a remuneração é calculada e quais dados ou materiais serão fornecidos à empresa.

Também existe uma diferença entre trabalhos de alta especialização e atividades de anotação mais simples. Nem toda vaga relacionada a treinamento de IA exige conhecimento técnico avançado, e os valores podem variar bastante.

No cenário atual, portanto, “ensinar uma IA” não significa conversar com um chatbot durante algumas horas. Em muitos casos, significa aplicar conhecimento profissional para medir, corrigir e melhorar o desempenho de sistemas.

O resultado é a criação de uma nova camada de trabalho em torno dos modelos de inteligência artificial: enquanto engenheiros desenvolvem os sistemas, especialistas ajudam a definir o que uma boa resposta, decisão ou execução deve representar.

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