Porsche: a era elétrica faz sucesso? (Divulgação)
Colunista
Publicado em 1 de outubro de 2026 às 10h01.
Aos 53 anos, o Porsche 911 Turbo continua obcecado por chegar aos 100 km/h cada vez mais cedo. Na primeira geração, revelada no Salão de Frankfurt de 1973 e comercializada a partir do ano seguinte, o lendário esportivo gerava 260 cv e precisava de 5,4 segundos; com 650 cv, o 911 Turbo S da sétima geração (992.1) chega lá em 2,7 segundos.
Contudo, não foi o bastante para deter o novo Cayenne Turbo Electric – um mamute de 4,99 metros de comprimento e mais de 2,6 toneladas – em uma arrancada lado a lado durante o evento de lançamento da quarta geração do SUV no Brasil, realizado no autódromo Velocitta, em Mogi Guaçu, interior de São Paulo.
Para se catapultar à frente do 911 e romper os 100 km/h em estonteantes 2,5 segundos, o novo Cayenne recorre à magia da eletricidade, que em 1902 levou o motor do Mixte Lohner-Porsche aos 14 cavalos e, 124 anos depois, entrega ao SUV até 1.156 cv e o título de carro de produção mais potente da fabricante alemã.
Segundo a Porsche, a quarta geração, puramente elétrica, não substituirá os modelos híbridos e a combustão da terceira. Matthias Becker, diretor global de vendas e marketing da Porsche, afirma que a empresa continuará desenvolvendo motores a combustão eficientes e sistemas híbridos paralelamente aos elétricos. “Em todos os segmentos em que atuamos, os clientes terão liberdade de escolha entre propulsão elétrica e motores a combustão”, esclarece.
A estratégia da fabricante de Stuttgart prevê a convivência dessas diferentes tecnologias para além de 2030. No ano passado, 36% das vendas globais da marca foram de modelos eletrificados, ainda de acordo com a empresa.
O modelo chega ao mercado nacional com carrocerias SUV e Coupé, totalizando seis configurações:
Com o Launch Control ativado, o Cayenne Electric entrega até 442 cv e 85,2 kgfm de torque, acelerando de 0 a 100 km/h em 4,8 segundos e atingindo velocidade máxima
de 230 km/h. No Cayenne S Electric os números saltam (e caem) respectivamente para até 666 cv, 110,2 kgfm, 3,8 segundos e 250 km/h.
No modo “civilizado”, o Cayenne Turbo Electric chega a 857 cv, mas basta ativar o controle de largada para contar com 1.156 cv e 153,1 kgfm, usina de força que leva o SUV aos 200 km/h em 7,4 segundos e à máxima de 260 km/h.
A Porsche credita grande parte desse desempenho ao novo sistema de propulsão elétrica desenvolvido pela empresa, que utiliza refrigeração direta a óleo no motor traseiro, uma tecnologia derivada do programa da marca na Fórmula E.
Baseado na inédita arquitetura Premium Platform Electric, o novo Cayenne vem com uma bateria de 113 kWh e tecnologia de 800 volts, responsáveis também por uma recarga de 80% em apenas 16 minutos, ainda de acordo com a marca. Nos padrões do Inmetro, o Cayenne Electric pode rodar até 493 km com uma carga; nas versões
S e Turbo, a autonomia cai para 489 km e 481 km, respectivamente.
Outra insanidade vinda da eletrificação é o carregamento por indução: com o Porsche Wireless Charging, basta estacionar o veículo sobre uma base instalada no piso para que o processo seja iniciado automaticamente. Nesse caso, a potência é de 11 kW.
A Porsche redefiniu o conceito de utilitário esportivo quando apresentou o Cayenne no Salão de Paris de 2002. Quase um quarto de século depois, o modelo eleva novamente o sarrafo do segmento de SUVs de alta performance – e talvez seja preciso inventar uma nova categoria para classificá-lo.