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Philippe Stern, presidente honorário da Patek Philippe, morre aos 87 anos

À frente da marca durante a crise do quartzo, ele apostou nos relógios mecânicos quando o mercado duvidava

Philippe Stern, presidente honorário da Patek Philippe, morreu aos 87 anos (Divulgação/Patek Philippe)

Philippe Stern, presidente honorário da Patek Philippe, morreu aos 87 anos (Divulgação/Patek Philippe)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 15 de junho de 2026 às 11h39.

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Philippe Stern, presidente honorário da Patek Philippe, morreu aos 87 anos. Filho de Henri Stern, que presidiu a marca por décadas e consolidou sua presença nos Estados Unidos e em mercados internacionais, Philippe chegou à empresa em 1963 pela Henri Stern Watch Agency, em Nova York, voltou a Genebra em 1966 e assumiu a direção geral em 1977, num dos momentos mais delicados da relojoaria suíça.

A crise do quartzo havia transformado o setor. O avanço dos relógios eletrônicos, mais baratos e mais precisos na marcação das horas, ameaçava a sobrevivência das manufaturas tradicionais. Stern manteve a aposta nos mecânicos. Em 1976, antes de assumir a direção geral, já havia participado decisivamente do lançamento do Nautilus, relógio esportivo de luxo em aço que Gérald Genta projetou e que desafiou os padrões da alta relojoaria ao trabalhar com um material até então pouco valorizado no segmento.

Um museu, uma manufatura, um selo

Em 1989, a Patek Philippe apresentou o Calibre 89, então o mecanismo portátil mais complicado do mundo, com 33 complicações. A peça foi criada para celebrar os 150 anos da manufatura e sinalizou uma virada no mercado de relógios complicados, que voltava a ganhar prestígio após anos de retração. Em 1996, Stern reuniu as operações da manufatura, que funcionavam em diferentes endereços em Genebra, num único complexo em Plan-les-Ouates, onde a Patek Philippe segue sediada.

Em 2001, inaugurou o Museu Patek Philippe, em Genebra, com um acervo de 10 mil peças reunido ao longo de quatro décadas, entre relógios históricos, esmaltes, miniaturas e instrumentos de medição do tempo. O espaço foi montado para preservar tanto a história da manufatura quanto uma história mais ampla da relojoaria suíça. Em 2009, sob sua supervisão, a Patek Philippe criou o Selo Patek Philippe, certificação interna mais rigorosa do que os padrões estabelecidos pelo Poinçon de Genève, que passou a garantir o acabamento, a precisão e a disponibilidade de serviço de cada peça produzida.

Naquele mesmo ano, Stern passou a presidência para seu filho Thierry, mantendo o cargo de presidente honorário. A família Stern controla a Patek Philippe desde 1932, quando Charles e Jean Stern, fabricantes de mostradores, adquiriram a manufatura durante a Grande Depressão. Em 2023, para celebrar os 85 anos de Philippe, Thierry mandou criar a Referência 1938P-001, um repetidor de minutos com alarme em platina, mostrador de esmalte preto grand feu e um retrato em miniatura do pai pintado à mão, em edição limitada a 30 peças.

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