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Por que a geração Z anda usando 'relógios de vovó'?

A tendência de peças menores, de ar vintage, vem se consolidando nos últimos anos e ditando o rumo do mercado

Baignoire da Cartier: forma oval característica (Cartier/Divulgação)

Baignoire da Cartier: forma oval característica (Cartier/Divulgação)

Ivan Padilla
Ivan Padilla

Editor de Casual e Especiais

Publicado em 5 de maio de 2026 às 12h53.

Última atualização em 5 de maio de 2026 às 13h09.

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O maior salão de relojoaria do mundo estava menor este ano. Não em quantidade de manufaturas e volume de pessoas. O Watches & Wonders, realizado em abril em Genebra, reuniu neste ano 65 marcas e mais de 60 mil visitantes. Estamos falando aqui do tamanho dos relógios.

Depois de anos de caixas oversized nos pulsos, a relojoaria tem migrado mais recentemente para diâmetros menores, impulsionada por consumidores mais jovens, especialmente mulheres na faixa dos 20 e início dos 30 anos, que têm adotado os chamados “relógios de vovó”.

São peças de apelo vintage, que podem ser novas ou de segunda mão, e que podem ser mais fáceis de combinar com pulseiras. Entre os lançamentos mais recentes, apresentados no salão de Genebra deste ano, estavam novas versões do Myst e do Baignoire da Cartier, todos muito delicados. A Rolex trouxe versões do Oyster Perpetual em 28mm em ouro. Até a IWC, conhecida pelas peças robustas com inspiração no mundo da aviação, apresentou um Pilot em 36mm.

O que está no pulso das celebridades

Não é que os relógios estejam diminuindo, me disse um executivo de uma grande manufatura durante o Watches & Wonders. “É que eles estão voltando para as proporções que devem ter.”

As redes sociais têm ajudado a disseminar a tendência. Celebridades, tanto homens como mulheres, têm usado relógios pequenos que antes eram vistos como ultrapassados. No MET Gala, realizado ontem, Rami Malek usou um Cartier Crash de platina, Maluma estava com o novo Bulgari Octo Finissimo 37 mm.

Timothée Chalamet frequentemente aparece com um Cartier Panthère ou um Jaeger-LeCoultre 34mm, Bad Bunny já foi visto com um discreto Patek Philippe Ellipse e Serena Williams costuma usar um Audemars Piguet Royal Oak mini.

Rami Malek: Cartier Crash de platina (Dimitrios Kambouris/Getty Images)

Essas aparições, somadas à busca por relógios mais versáteis, aceleram a mudança de tamanho. Marcas tradicionais estão reduzindo caixas de 42 mm ou mais para 38 mm, 36 mm e até abaixo de 34 mm. Ao mesmo tempo, as divisões de gênero começam a desaparecer, com fronteiras cada vez mais difusas em tamanho, materiais e cores.

“Colecionadores não tradicionais são atraídos por esses estilos”, disse Brynn Wallner, fundadora da plataforma Dimepiece, à Bloomberg. “À medida que mais mulheres entram nesse universo e compram seu primeiro relógio, elas buscam algo menor, versátil, fácil de usar e que combine com tudo sem fazer uma grande declaração.”

Relógios pequenos também se alinham à tendência do quiet luxury, em voga no pós-pandemia.

Relógios clássico com streetwear

Pierre Rainero tem o cargo dos sonhos para quem gosta da história da relojoaria. Ele é o diretor de imagem e herança da Cartier. Seu trabalho, grosso modo, e vasculhar os arquivos da marca e analisar o contexto em que cada relógio foi lançado, de olho em releituras e estratégias de produtos.

Segundo Rainero, a consistência de forma é central para o sucesso do Baignoire, cuja origem remonta a 1958. As novas versões incorporam elementos como o padrão Clous de Paris, reforçando a abordagem joalheira da marca.

Muitas casas estão reinterpretando referências vintage com ajustes contemporâneos, seja por meio de acabamentos decorativos, gemas, ou o uso de materiais bicolores como aço e ouro amarelo, que facilitam a integração com outras joias. Formatos como quadrado, retangular e oval, além de designs assimétricos, também ganham espaço.

Segundo Wallner, muitas consumidoras jovens encontram esses relógios em brechós ou até em caixas de joias da família, e reinterpretam seu uso. “O que parecia ultrapassado agora é visto de outra forma. É uma questão de styling. Você pode usar com streetwear ou jeans e camiseta, e de repente fica interessante. Você usa o relógio; ele não usa você.”

Apesar da tendência, modelos menores de marcas tradicionais às vezes encontram-se subvalorizados no mercado secundário, o que abre boas oportunidades para o consumidor. Mas é preciso estar atento com réplicas e relógios mal-cuidados. A principal dica para que quer se aventurar no universo dos relógios vintage é encontrar vendedores com credibilidade, tão confiáveis quando a sua avó.

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