Funcionários da SK hynix passaram a ser vistos como “partido dos sonhos” na Coreia do Sul após bônus bilionário impulsionado pela alta demanda por chips de inteligência artificial. (JUNG YEON/Getty Images)
Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 22 de maio de 2026 às 13h40.
Última atualização em 22 de maio de 2026 às 13h41.
Funcionários da SK hynix viraram assunto na Coreia do Sul depois que a fabricante de memórias teria distribuído um bônus coletivo estimado em 3,7 trilhões de wons, cerca de US$ 2,5 bilhões, ou R$ 12,6 bilhões, apenas no primeiro trimestre de 2026. O pagamento, ligado ao lucro operacional da companhia, transformou parte dos empregados em figuras cobiçadas no mercado de relacionamentos do país.
A atenção ganhou contornos curiosos porque os profissionais da empresa passaram a ser descritos em relatos locais como “pretendentes perfeitos”. O apelido combina dois elementos valorizados no competitivo cenário social sul-coreano: estabilidade financeira e perspectiva de ganhos elevados em uma companhia diretamente beneficiada pela corrida global por inteligência artificial.
A SK hynix, uma das maiores fabricantes de chips de memória do mundo, informou números fortes no primeiro trimestre de 2026. A receita chegou a 52,6 trilhões de wons, aproximadamente US$ 35,6 bilhões, ou R$ 179,4 bilhões, com crescimento de 60% em relação ao trimestre anterior. Na comparação anual, a alta ficou perto de 198%.
O lucro operacional também chamou a atenção de investidores e funcionários. A empresa registrou 37,61 trilhões de wons, cerca de US$ 25,4 bilhões, ou R$ 128 bilhões, em lucro operacional no período. Como a companhia costuma distribuir perto de 10% desse resultado em bônus corporativos, a remuneração variável ganhou dimensão bilionária.
O caso ajuda a explicar por que a SK hynix passou a ocupar um lugar incomum no imaginário público sul-coreano. Em um país no qual grandes conglomerados, conhecidos como chaebols, ainda pesam na formação de status profissional, trabalhar em uma empresa com lucros recordes pode influenciar não só a carreira, mas também a vida social.
O contraste mais direto ocorre com a Samsung Electronics, rival histórica da SK hynix no setor de semicondutores. Enquanto funcionários da SK hynix colhem os efeitos do avanço da companhia em memórias de alto desempenho, empregados da Samsung discutem a possibilidade de greve sindical em busca de compensações mais previsíveis.
Sindicatos da Samsung tentam negociar bônus mais robustos, incluindo pagamentos regulares equivalentes a até 15% do lucro operacional. A pressão mostra como a disputa por talentos se tornou parte central da indústria de semicondutores, especialmente em um momento no qual servidores, GPUs e data centers ampliam a demanda por memória avançada.
O pano de fundo é a explosão dos investimentos em inteligência artificial. Modelos generativos, serviços em nuvem e aplicações corporativas exigem grande volume de processamento e memória, o que favorece empresas capazes de fornecer componentes de alto desempenho em escala global.
Por enquanto, a SK hynix combina dois ganhos raros: resultados financeiros fortes e um inesperado status social para seus funcionários. O bônus bilionário não apenas premiou o desempenho da companhia, mas também transformou seus empregados em personagens de uma história sobre dinheiro, tecnologia e casamento na Coreia do Sul.