Corta-ventos: casacos conquistam espaço na moda de 2026 (Reprodução/Instagram/FFW)
Colaboradora
Publicado em 11 de abril de 2026 às 11h12.
O corta-vento é uma das principais apostas da moda para as coleções de 2026. Por décadas restrita ao guarda-roupa esportivo, a peça foi incorporada às novas temporadas de maisons como Saint Laurent, Loewe, Prada, Miu Miu e Versace.
O casaco agora aparece em versões mais sofisticadas, que se afastam do seu espírito mais utilitarista, com materiais como nylon translúcido e cortes próximos da alfaiataria.
O corta-vento se popularizou nos anos 80 como peça de uso esportivo cotidiano, associada à corrida e ao tênis, antes de circular pelo streetwear nas décadas seguintes. Agora, a peça volta às passarelas e vitrines puxado tanto pela nostalgia oitentista quanto pelo crescimento da moda esportiva nas últimas tendências.
A influência do audiovisual ajudou nesse processo. A Netflix lançou a quinta e última temporada de Stranger Things em dezembro, colocando fim em um dos maiores sucessos da plataforma. A trama se passa em novembro de 1987, mesma década em que o corta-vento era a peça do momento, e ele aparece nos looks de vários personagens.
O encerramento da série ocorreu no mesmo período em que as coleções apresentadas nos desfiles de meados de 2025 começam a chegar ao varejo internacional, mas a cultura pop é apenas um dos vetores.Peças de origem utilitária e esportiva têm se incorporado mais ao luxo há algumas temporadas, com o avanço do athleisure e do gorpcore — de esportes ao ar livre — levou elementos de roupa técnica para o guarda-roupa urbano, vide a jaqueta bomber e a calça cargo, por exemplo.
Na coleção masculina de primavera/verão 2026 da Saint Laurent, Anthony Vaccarello levou o corta-vento à passarela em nylon, com acabamentos translúcidos e ombros estruturados. A coleção Resort 2026 da casa, apresentada semanas antes, já havia sinalizado a tendência ao vestir Hailey Bieber e Zoë Kravitz com peças semelhantes durante uma apresentação feminina.
A Loewe trabalhou a peça a partir de sobreposições e de volumes mais amplos, enquanto a Prada apostou em tons saturados, com um rosa que pontuou a coleção.
O que conecta as diferentes leituras das marcas é o tratamento do material — o nylon passou a ser um tecido de passarela. Aparece em versões translúcidas, com cortes que se aproximam da alfaiataria e sobreposto a tecidos como seda e renda.
Fora das passarelas, o teste da peça se dá nas estações de transição, quando o casaco de inverno começa a sobrar e o suéter ainda não basta.