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O diretor criativo virou peça opcional nas grandes maisons?

Após a saída de Pieter Mulier para a Versace, a Alaïa apresentou em Paris uma coleção assinada apenas pelo estúdio, num momento em que outras casas também entregam temporadas às equipes internas

Desfile de verão 2027 da Alaïa em Paris, o primeiro da marca sem diretor criativo desde a saída de Pieter Mulier para a Versace; a coleção foi assinada pelo estúdio interno (Reprodução/Instagram)

Desfile de verão 2027 da Alaïa em Paris, o primeiro da marca sem diretor criativo desde a saída de Pieter Mulier para a Versace; a coleção foi assinada pelo estúdio interno (Reprodução/Instagram)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 10 de outubro de 2026 às 07h59.

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No início de outubro, os convidados da Alaïa assistiram à coleção de verão 2027 de pé, dentro do prédio de vidro projetado por Jean Nouvel no Boulevard Raspail, antiga sede da Fondation Cartier. As modelos circulavam entre o público diante de telas curvas com imagens do cineasta Julian Klincewicz, e a ausência de cadeiras eliminou também a fila A e o agradecimento ao fim da apresentação, já que nenhum dos 37 looks levava a assinatura de um diretor criativo.

Foi a primeira coleção da maison desde a despedida de Pieter Mulier, em março, no mesmo endereço. O belga deixou o posto depois de cinco anos para assumir a direção criativa da Versace a partir de 1º de julho, contratado pelo Grupo Prada, que comprou a marca italiana da Capri Holdings por € 1,25 bilhão. Desde então, a Alaïa é conduzida pelo estúdio interno, encarregado pela própria empresa de garantir a continuidade até a confirmação de uma nova estrutura criativa.

Um intervalo que a casa já conhece

A Alaïa passou por um período parecido entre a morte de Azzedine Alaïa, em novembro de 2017, e a nomeação de Mulier, anunciada em fevereiro de 2021. Nesse intervalo, a equipe manteve a produção com a linha Editions, que relançava modelagens do acervo do estilista tunisiano, como camisas brancas, casacos de jersey perfurado, cintos largos e corsets. Em entrevista ao FashionNetwork na época, a CEO Myriam Serrano, que segue no cargo, dizia buscar um diretor criativo de talento especial, que respeitasse o legado do fundador e soubesse ser discreto.

Mulier estreou com o verão 2022 e, ao longo de cinco temporadas completas, levou a marca a desfiles fora de Paris, como o realizado no Museu Guggenheim, em Nova York. No ano passado, recebeu de Naomi Campbell uma homenagem no prêmio do CFDA pelo trabalho com o arquivo da casa.

Pregas, couro e tons fechados

O release da nova coleção organiza a temporada em torno de diálogos com as mulheres, com o savoir-faire e com a memória do fundador. Na passarela, a ideia ganhou forma numa prega que se comporta como babado, apresentada primeiro em couro rígido e estruturado e suavizada ao longo da sequência até chegar a versões leves e assimétricas.

A alfaiataria apareceu em jaquetas Spencer pretas, justas e fechadas por fileiras de botões pequenos, enquanto saias de couro no formato skater desciam em pregas espiraladas. Um casaco de couro bordô trazia nervuras na altura do diafragma que formavam um bustiê embutido, e vestidos de jersey enrolados nos quadris, com fendas altas, remetiam aos paniers do século 18. A cartela partiu dos neutros e incluiu merlot, oliva, berinjela, safira e fúcsia, além de um amarelo-manteiga aplicado a novas versões do vestido de tricô skater.

Estúdios no lugar de autores

Matthieu Blazy estreou na Chanel em outubro de 2025, na Semana de Moda de Paris (Victor VIRGILE/Gamma-Rapho/Getty Images)

Outras maisons recorreram ao mesmo arranjo nas últimas temporadas, como a Hermès, cuja linha masculina de verão 2027 foi desenvolvida pelo estúdio após a saída de Véronique Nichanian, que comandou o segmento por 37 anos. Grace Wales Bonner estreia como diretora criativa do masculino da marca em janeiro de 2027.

A Chanel passou mais de um ano apresentando coleções da equipe interna entre a saída de Virginie Viard, em junho de 2024, e o primeiro desfile de Matthieu Blazy, em outubro de 2025.

Sem pressa na Richemont

A Richemont não divulga os números da Alaïa separadamente. A grife integra a divisão Other, ao lado de Chloé, Montblanc, Delvaux e Peter Millar, que somou € 724 milhões em vendas no trimestre encerrado em 30 de junho, alta de 9% a câmbio constante. O grupo inteiro faturou € 6,3 bilhões no período, puxado pela joalheria de Cartier e Van Cleef & Arpels.

No anúncio da saída de Mulier, em janeiro, Philippe Fortunato, CEO das maisons de moda e acessórios do grupo, afirmou que o novo capítulo da marca seria guiado pela atemporalidade, pela independência e pela força do talento coletivo da casa. Na mesma semana, apontou-se Olivier Rousteing, que deixou a Balmain em novembro de 2025 após 14 anos, como possível sucessor.

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