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A Saks Fifth Avenue tenta voltar a ser a vitrine do luxo americano

Rebatizado de Exemplar Luxury Group, o grupo dono de Saks, Neiman Marcus e Bergdorf Goodman encolheu a rede, renegociou dívidas e ainda busca reconquistar marcas e clientes

Fachada da flagship da Saks na Quinta Avenida, aberta em 1924 ao lado da Catedral de St. Patrick e hipotecada em 2014 por cerca de US$ 1,2 bilhão (Reprodução/Saks)

Fachada da flagship da Saks na Quinta Avenida, aberta em 1924 ao lado da Catedral de St. Patrick e hipotecada em 2014 por cerca de US$ 1,2 bilhão (Reprodução/Saks)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 11 de outubro de 2026 às 08h21.

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Nos primeiros dias de janeiro de 2026, a Saks Global trocou de comando duas vezes em menos de duas semanas. Marc Metrick deixou o posto de CEO, Richard Baker assumiu a função acumulando a presidência do conselho e abriu mão dos dois cargos logo depois, sendo substituído por Geoffroy van Raemdonck. Coube ao novo executivo conduzir o pedido de recuperação judicial, protocolado em 14 de janeiro no Distrito Sul do Texas, com uma dívida que somava US$ 3,4 bilhões.

Nove meses depois, a dona da Saks Fifth Avenue, da Neiman Marcus e da Bergdorf Goodman opera sob o nome Exemplar Luxury Group e com uma estrutura bem menor. Antes do processo, eram 33 lojas Saks, 36 Neiman Marcus, a Bergdorf da Quinta Avenida e cerca de 70 outlets Saks Off 5th. Hoje são 49 lojas de departamento e apenas 12 outlets. O e-commerce da Off 5th também foi desligado, e o endividamento caiu quase 75%.

A crise ganhou força com a compra da Neiman Marcus, uma aquisição de US$ 2,65 bilhões concluída em dezembro de 2024. A operação se somou a passivos que a Saks carregava desde a gestão da canadense Hudson's Bay, controladora da rede a partir de 2013, período em que a flagship da Quinta Avenida foi hipotecada por cerca de US$ 1,2 bilhão. Baker, que tem carreira no setor imobiliário e comandava a Hudson's Bay, virou alvo de críticas de credores e não quis comentar o caso quando procurado pela revista Robb Report.

Fornecedores na fila

Saks

A loja de Manhattan segue no centro da estratégia do Exemplar Luxury Group, que encerrou a recuperação judicial com 15 unidades Saks (Wikimedia Commons)

Sem caixa, a varejista passou a atrasar pagamentos e muitas grifes suspenderam os envios. Documentos judiciais de janeiro mostram que a Chanel tinha mais de US$ 136 milhões a receber, enquanto a Kering, dona de Gucci e Saint Laurent, somava cerca de US$ 60 milhões. A Richemont aparecia com aproximadamente US$ 30 milhões e a Estée Lauder com quase US$ 16 milhões. Para marcas pequenas, o atraso significou cortes de equipe e campanhas canceladas, e algumas cobranças eram respondidas por uma equipe em Bengaluru, na Índia, onde a empresa concentrava áreas administrativas.

O efeito chegou ao salão de vendas. Ex-funcionários relataram vestidos sem grade completa de tamanhos e clientes que perguntavam se a loja estava prestes a fechar. Nas redes sociais, vídeos de araras vazias em unidades em liquidação circularam durante meses.

Um formato sob pressão

A turbulência acontece num momento delicado para o setor. Um estudo da Bain & Company publicado em novembro projetava a segunda retração seguida nas vendas globais de luxo em 2026, e um relatório anterior da consultoria já apontava a indiferença de parte dos consumidores americanos ao modelo de loja de departamento.

Grifes investem cada vez mais em boutiques próprias e no digital, e a revenda ganhou espaço com plataformas como The RealReal. Executivos do mercado citam Bloomingdale's e Nordstrom como os endereços que mais atraem marcas que perderam a confiança na Saks.

Nova fase

O grupo contou com cerca de US$ 1,75 bilhão em compromissos de financiamento para retomar pagamentos, e em março perto de 600 marcas voltaram a abastecer as lojas. Entre 14 de janeiro e 2 de maio, a companhia vendeu US$ 1,6 bilhão e registrou prejuízo de US$ 63 milhões. Van Raemdonck afirma que mais de 1.500 vendedores do grupo já venderam acima de US$ 1 milhão cada, peça central de uma estratégia voltada a clientes de alta renda e atendimento personalizado.

O conselho de sete integrantes reúne dois representantes de cada um dos fundos Pentwater Capital Management e Bracebridge Capital, além de Dave Kimbell, ex-CEO da Ulta Beauty, e Philippe Schaus, ex-CEO global da Moët Hennessy. A área de compras passa por mudança. Paolo Riva, responsável pela seleção de produtos da Saks e da Neiman Marcus, deixou o grupo em 18 de setembro, e a empresa ainda procura um substituto.

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