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Este café custa R$ 1 mil por xícara e deve ser tomado puro e sem pressa

Torrefação Sey, de Nova York, pagou US$ 44.275 por sete quilos de um gesha panamenho e leva o lote para degustações em cidades como Londres, Paris, Xangai e Seul

Prova de cafés na Sey, torrefação do Brooklyn que leva um gesha panamenho de mais de US$ 200 (R$ 1 mil) a xícara para uma turnê mundial (Reprodução/Instagram)

Prova de cafés na Sey, torrefação do Brooklyn que leva um gesha panamenho de mais de US$ 200 (R$ 1 mil) a xícara para uma turnê mundial (Reprodução/Instagram)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 3 de novembro de 2026 às 13h26.

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Com notas de bergamota, tangerina e pétala de rosa sobre um fundo de frutas escuras, o gesha que a torrefação Sey passou a servir no Brooklyn, em Nova York, deve ser tomado puro, com o paladar limpo e sem pressa. A recomendação vem de Doug Cohen, diretor de estratégia de marca da casa, que explicou ao site americano Eater que o perfil da bebida muda conforme ela esfria. O cuidado acompanha o preço, já que cada xícara corresponde a mais de US$ 200 (cerca de R$ 1 mil) em grãos.

O café é o lote número um do leilão privado de 2026 da Finca Sophia, fazenda nas terras altas de Chiriquí, no Panamá. A Sey arrematou neste ano os sete quilos do gesha lavado por US$ 44.275 (aproximadamente R$ 221 mil), o equivalente a US$ 6.325 por quilo. Trata-se também do lote de maior altitude da propriedade, cultivado a até 2.200 metros em florestas nubladas, onde o clima frio desacelera a maturação dos frutos.

Fora dos eventos, o gesha é vendido por grama no site da marca e preparado na cafeteria de Bushwick, além de dois endereços parceiros, o Motors, em Paris, e o Play, em Laguna Beach, na Califórnia.

Seis cafés por degustação

O lançamento ganhou formato de turnê. A World Coffee Tour começou em 17 de outubro em Los Angeles, passou por San Francisco no dia seguinte e segue por Nova York, Londres, Paris, Xangai, Seul e outras cidades, com ingressos vendidos pela plataforma Tock. As primeiras sessões na Califórnia foram conduzidas por Lance Hedrick, diretor de pesquisa e educação da Sey, que soma 450 mil seguidores no YouTube.

Em cada parada, o lote da Finca Sophia divide a mesa com outros cinco cafés raros do Panamá, da Etiópia e do Equador, entre eles Alo Village, Los Cenizos e Finca Soledad. Segundo Cohen, o Panamá interessa à marca justamente por reunir qualidade excepcional e preços altíssimos, e a compra serve para observar como o consumidor reage a um café nesse patamar.

Parceria antiga com a fazenda

Frutos de café em secagem; a Sey compra microlotes de produtores e cooperativas de vários países e não mantém blends fixos no cardápio (Reprodução/Instagram)

Fundada em 2008 perto de Nueva Suiza, na região de Volcán, a Finca Sophia já fornecia grãos à Sey havia alguns anos. Cohen conta que a decisão de comprar o lote surgiu quando o gerente-geral da fazenda relatou uma queda de cerca de 95% na produção. A aquisição foi uma forma de apoiar o produtor em um ano ruim e, ao mesmo tempo, ampliar o que a empresa chama de experiências elevadas de café.

O executivo atribui a valorização a uma mudança recente na forma como a bebida é vista. Por muito tempo tratado como commodity, o café ganhou um público mais curioso antes e logo depois da pandemia, que passou a estudar o assunto em canais do YouTube, servidores do Discord e fóruns online.

Do loft ao Grattan Street

A Sey nasceu como Lofted Coffee, operando no loft dos fundadores em Bushwick, e adotou o nome atual em 2017, quando se mudou para o endereço na Grattan Street. A Food & Wine elegeu a casa como a melhor cafeteria dos Estados Unidos. A empresa não trabalha com blends fixos no cardápio e garimpa microlotes de produtores e cooperativas pelo mundo, alguns esgotados em poucas horas.

A operação também chama atenção pela política de pessoal, uma vez que a Sey aboliu as gorjetas e paga a seus funcionários mais de 80% acima do salário mínimo por hora de Nova York. Baristas em tempo integral podem chegar a US$ 31 (cerca de R$ 155) por hora, com benefícios e participação na receita da cafeteria.

O lote panamenho se soma a outros movimentos que aproximam o café da alta gastronomia nos Estados Unidos. Em Nova York, a Driftaway Coffee oferece um menu no estilo omakase, enquanto a Komakase, em San Francisco, funciona como sala de degustação. A londrina Watch House abriu neste verão sua quarta unidade nova-iorquina, com xícaras de até US$ 32 (cerca de R$ 160), e, segundo a Bloomberg, avalia novos pontos em Austin, Chicago e Miami.

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