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O novo acessório de bem-estar que promete ser tendência

A Intake Breathing, criada por um engenheiro fã de motocross, recebe US$ 62 milhões da gestora de Daniel Lubetzky, criador da Kind, e se prepara para chegar ao grande varejo americano

Dilatador da Intake, preso ao nariz por fitas magnéticas: o sono é hoje o principal uso do produto (Reprodução/Instagram)

Dilatador da Intake, preso ao nariz por fitas magnéticas: o sono é hoje o principal uso do produto (Reprodução/Instagram)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 2 de novembro de 2026 às 06h23.

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Uma pequena peça de plástico, preta ou transparente, presa às narinas por fitas adesivas magnéticas, está no centro de uma das maiores apostas recentes do mercado de bem-estar nos Estados Unidos. A Camino Partners, gestora fundada por Daniel Lubetzky, criador das barrinhas Kind, anunciou nesta quarta-feira, 28, um investimento de US$ 62 milhões na Intake Breathing, fabricante de um sistema patenteado de dilatação nasal com sede no sul da Califórnia.

O cheque é o primeiro aporte relevante de capital externo recebido pela empresa, que até agora operava como um negócio familiar, e o maior já feito pela Camino, segundo a própria gestora. A Intake afirma ter vendido mais de 100 milhões de pares das suas peças, pelo site próprio e pela Amazon, e se aproxima de um faturamento anual de US$ 100 milhões. O portfólio da Camino inclui ainda a rede de academias Barry's, a cervejaria sem álcool Athletic Brewing, a marca de suplementos Cymbiotika e a Prose, de cuidados com o cabelo.

Da pista de motocross para o quarto

A história da Intake começa com Jim Castillo, inventor e engenheiro de dispositivos médicos que tinha dificuldade para manter as vias nasais abertas durante corridas de motocross. Em vez das tradicionais tiras adesivas vendidas em farmácia, ele desenvolveu uma faixa magnética reutilizável que abre mecanicamente a válvula nasal, o ponto mais estreito das vias aéreas. O genro, Alex Hauck, entrou no negócio como cofundador e CEO, e o produto chegou ao público por meio de uma campanha no Kickstarter, em 2019.

"A Intake começou como a solução para um problema na garagem do meu sogro e se tornou algo maior do que imaginávamos", disse Hauck no comunicado do investimento. Apesar da origem ligada ao esporte, o uso mais comum do dilatador hoje acontece durante o sono, já que ele ajuda a diminuir o ronco ao reduzir a respiração pela boca. A empresa cita estimativas de que 56% dos americanos, mais de 90 milhões de pessoas, roncam, e de que mais de 60% respiram principalmente pela boca.

O kit inicial custa US$ 49 (cerca de R$ 262) e reúne o dilatador em quatro tamanhos, para ajustar o encaixe a diferentes rostos e atividades, além de 15 pares de fitas magnéticas, suficientes para 15 dias ou noites de uso.

Um acessório ao lado dos AirPods

Estojo hexagonal da Intake Breathing, que recebeu US$ 62 milhões (cerca de R$ 331 milhões) da Camino Partners (Reprodução/Instagram)

O principal concorrente da Intake é a Breathe Right, marca de tiras adesivas lançada em 1993 e vendida em farmácias e grandes redes, comprada neste ano pela Prestige Consumer Healthcare, dona de produtos como Dramamine e Clear Eyes. Para Elle Lanning, presidente da Camino, pesou na decisão o fato de 74% dos compradores da Intake nunca terem consumido produtos da categoria, associada pelo público a remédios para resfriado e sinusite, como ela explicou ao site americano Glossy.

Lubetzky compara o momento ao início da Kind, quando os consumidores começavam a relacionar alimentos integrais à saúde, e vê espaço para que a respiração nasal ganhe o mesmo status na rotina de quem cuida do sono e do condicionamento. Lanning acredita que a adesão deve variar entre gerações. "Você começa a ver as pessoas usando diferentes tipos de emblemas para o estilo de vida que as representa, e acho que a Intake tem a oportunidade de ser isso para os mais jovens", afirmou.

Hauck aposta que o constrangimento de usar uma peça visível no nariz diminua com o tempo, como aconteceu com os óculos infantis e, mais recentemente, com os adesivos para espinhas da Starface. "Nosso dispositivo quase parece um acessório junto com os AirPods", disse ao Glossy.

Atletas, passarela e consultórios

Para ampliar o alcance da marca, a Intake fechou parcerias com atletas como Justin Wrobleski, arremessador do Los Angeles Dodgers, o piloto da Nascar Corey Heim e o patinador de velocidade Viktor Thorup, medalhista de prata olímpico. Em fevereiro, o dilatador apareceu no desfile de outono-inverno 2026 da marca Jade/Wade, durante a semana de moda de Nova York. A empresa também trabalha com dentistas, fisioterapeutas, massoterapeutas e doulas, que oferecem o produto durante procedimentos, sessões de massagem e partos.

Os recursos da Camino serão usados para recomprar a participação de investidores iniciais, entre amigos e familiares, ampliar a equipe de 35 funcionários, diversificar o marketing e, principalmente, levar a marca ao grande varejo físico, onde ainda se concentra a maior parte das vendas da categoria. Segundo Hauck, já há redes interessadas em receber o produto. Lanning diz buscar varejistas que organizem as gôndolas de acordo com o problema que cada item resolve para o consumidor.

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