No radar: os esportes que vão ditar tendências de moda em 2026. (Richard Bord/Getty Images/Getty Images)
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Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 07h12.
Última atualização em 20 de março de 2026 às 10h26.
A influência do esporte na moda chega a 2026 ainda mais forte, graças à preocupação cada vez maior das pessoas em relação à saúde e bem-estar. Agora, o sportswear deixou de ser restrito aos atletas e passou a fazer parte do guarda-roupa cotidiano de quem quer expressar um estilo de vida saudável, a partir de peças que unem funcionalidade e estética.
Essa transformação tem raízes individuais e coletivas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) associa a alta de 52% nas compras de sportswear em 2024 ao aumento da conscientização sobre o tema. Já a União Internacional de Telecomunicações indica que 41% das pessoas que adquirem esses produtos são influenciadas por tendências da internet.
De certa forma, já é esperado que o esporte domine parte das discussões em 2026: afinal, é ano de Copa do Mundo. O evento tende a influenciar vários setores, inclusive a moda — mas o futebol não será o único a se destacar nas vitrines.
Veja, a seguir, os esportes que devem ditar as tendências neste ano, conforme uma reportagem da Sportofino e uma análise do criador de conteúdo e jornalista Filipe Maia para a plataforma especializada em cultura ISMO.Mov.
Nos últimos anos, o futebol ficou ainda mais presente na moda, com referências do esporte sendo incorporadas ao vestuário urbano e às campanhas de grandes marcas. Para Maia, esse movimento ganhou força com a circulação de símbolos do esporte para além dos campos. Ele cita as trends #blokecore e #brazilcore como exemplos.
Em 2026, a realização da Copa do Mundo em três países — Canadá, México e Estados Unidos — tende a manter essa influência em evidência, com a incorporação de novas referências culturais ao mercado.
Ainda assim, Maia avalia que há sinais de desgaste nesse repertório. Para ele, parte das releituras feitas por marcas não atinge o mesmo impacto das peças originais, e a repetição de referências pode indicar uma transição para outras fontes de inspiração na moda. "Vejo que o fashion bebeu tanto do futebol que até ficou sem inspiração", escreveu.
Entre os esportes com potencial de influenciar o vestir em 2026, o tênis está entre os principais. Antes mais restrita a determinados grupos, a prática passa a ocupar também o imaginário geral, com forte exposição nas redes sociais.
A influência se conecta a gatilhos de visibilidade no Brasil e fora dele: a alta de atletas como Bia Haddad Maia e João Fonseca recoloca o país no noticiário esportivo; no audiovisual, filmes e produções reforçam o imaginário de esportes com raquete, como "Challengers" (2024) e "Marty Supreme" (início de 2026) — este último ligado ao tênis de mesa.
Nas redes sociais, a hashtag #tenniscore soma mais de 7 milhões de visualizações, com várias referências às saias plissadas, pullovers, moletons e camisas polo.
A corrida é descrita como um esporte "atemporal", com adesão frequente em diferentes idades e localidades, e com baixo requisito de estrutura para começar. Nos últimos anos, além do crescimento na prática, ela também se tornou uma das matrizes mais influentes do fashion-esportivo.
Trata-se do 4º esporte mais praticado no Brasil em 2025, que angariou 2 milhões de novos praticantes em um ano, segundo o estudo "Por Dentro do Corre", realizado pela Olympikus em parceria com a Box 1824.
Com esse avanço, cresce a demanda por produtos usados tanto na corrida quanto fora dela. A tendência é que referências do universo runner conquistem ainda mais espaço no guarda-roupa em 2026, com a incorporação de peças leves e funcionais.
O relatório anual Active Lives Adult Survey 2023–2024, divulgado pela Sport England, afirma que o setor de academias lidera o ranking de atividades esportivas no mundo. No Brasil, uma pesquisa da ILUMEO divulgada em 2025 aponta que 58% dos entrevistados escolhem atividades em academias em vez de outros esportes.
Vários fatores podem explicar essa preferência: o ambiente fechado, a flexibilidade de horários, a recomendação médica, o complemento a outras modalidades e a possibilidade de treinar sozinho, sem competição direta, por exemplo, são os mais citados pelos adeptos à musculação.
As redes sociais ampliam a popularização do fitness. Maia lembra, em sua análise, que o ano de 2026 começou no Brasil com memes importados desse universo — "sabor energético" — e deve seguir com forte influência de criadores de conteúdo que estimulam treinos e ganho de massa.
No campo da moda, o visual de academia nem sempre se traduz diretamente nas passarelas. Ainda assim, marcas que operam com esse nicho e vendem peças simples e de alto valor têm perspectiva de ainda mais crescimento. Entre os exemplos citados estão Atara, LIVE!, Insider, Skims e Lululemon.
A Fórmula 1 ainda é vista como um esporte de elite. Segundo Maia, no entanto, o boom do esporte nas redes sociais e no entretenimento tem contribuído para expandir seu alcance junto ao público.
No Brasil, ele cita um recorte específico: o uso de camisas de escuderias por jovens periféricos como ferramenta de identidade e estilo — com referências a agasalho, camisa polo e boné da Ferrari. Esse repertório teria avançado quando marcas de streetwear criaram versões próprias e quando peças inspiradas na F1 surgiram em varejistas como C&A, Cotton On e Riachuelo.
Apesar disso, o autor avalia que a influência da Fórmula 1 deve ficar mais concentrada em nichos, sem se tornar uma tendência dominante na moda.
A instabilidade climática e as mudanças nos modos de vida ampliam, em 2026, a demanda por roupas para atividades ao ar livre que funcionem em diferentes contextos. Peças com bom desempenho técnico, materiais respiráveis e proteção contra o vento e a chuva devem ocupar espaço no guarda-roupa das pessoas.
Essa tendência reflete duas tendências complementares. Um deles é Quiet Outdoor, que seria uma vertente da moda outdoor com foco em funcionalidade e durabilidade. A ideia se baseia no uso prolongado e adaptável a diferentes situações do dia a dia, por isso, esses produtos combinam estética neutra, cortes precisos e formas limpas.
O outro é o chamado Gorpcore, inspirado em roupas de trekking e expedições, o estilo incorpora botas funcionais, jaquetas técnicas, coletes, calças cargo e moletons de fleece ao vestir diário. A tendência se apoia na busca por conforto, mobilidade e preparo para variações climáticas.