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Buffett sinaliza fim de doações à Fundação Gates após revelações sobre Epstein

Em entrevista à CNBC, megainvestidor afirma que não fala com Gates desde que novos arquivos do caso Epstein vieram a público

Warren Buffett: o chairman da Berkshire Hathaway reavalia sua parceria histórica com Bill Gates (Daniel Zuchnik/WireImage/Getty Images)

Warren Buffett: o chairman da Berkshire Hathaway reavalia sua parceria histórica com Bill Gates (Daniel Zuchnik/WireImage/Getty Images)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 5 de abril de 2026 às 16h40.

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A histórica amizade entre Warren Buffett e Bill Gates, que por décadas simbolizou a união entre a velha e a nova economia através da filantropia, parece ter chegado ao fim.

Em entrevista à CNBC na última terça-feira, 31, o chairman da Berkshire Hathaway revelou que não fala com o fundador da Microsoft desde que novas revelações dos arquivos de Jeffrey Epstein vieram à tona. O distanciamento coloca em xeque as doações multibilionárias anuais que Buffett faz à Fundação Gates.

Embora Buffett acredite que Gates não tenha envolvimento direto nos crimes de exploração sexual, ele demonstrou profundo desconforto com as conexões logísticas reveladas.

"Até que tudo seja esclarecido, não acho que faça sentido conversar muito", afirmou o bilionário de 95 anos ao jornal. Ele reforçou que seu compromisso "irrevogável" de doações em vida, feito em 2006, ainda depende de condições de transparência e governança, e que sua fortuna pós-morte será gerida por seus três filhos, e não mais pela Fundação Gates.

A possível retirada do selo de aprovação de Buffett à Fundação Gates é um golpe reputacional severo. Para o mercado, o movimento de Buffett de passar a responsabilidade da sua fortuna (quase US$ 130 bilhões) para os filhos sugere uma busca por maior controle e monitoramento ético dos destinos do capital.

Se a parceria com Gates for definitivamente encerrada, será o fim de uma era que mudou os paradigmas da doação corporativa global.

"Mea Culpa" da Apple

Além do imbróglio diplomático, Buffett usou o espaço para comentar sua estratégia de investimentos. Ele admitiu ter vendido ações da Apple "cedo demais". Desde o quarto trimestre de 2023, a Berkshire reduziu sua participação na gigante de tecnologia em 75%.

No entanto, desde então, o papel valorizou quase 50%. "Eu comprei cedo, então funcionou, mas vendi antes da hora", brincou. Mesmo com a redução, a Apple segue como a maior posição da carteira da Berkshire, avaliada em US$ 58,3 bilhões.

Sucessão e macroeconomia

O Oráculo de Omaha confirmou que, apesar de ter deixado o cargo de CEO no fim de 2025, ainda vai ao escritório todos os dias como chairman e colabora com o novo CEO, Greg Abel.

No campo macroeconômico, Buffett disparou contra a meta de inflação de 2% do Federal Reserve. Para ele, o Banco Central americano deveria mirar na inflação zero. "Uma vez que você tolera 2%, isso se acumula dramaticamente ao longo do tempo. Eu não gosto dessa meta", afirmou, comentando o último CPI de 2,4%.

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