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Esperma de salmão, a nova febre da beleza

O PDRN, derivado de fragmentos de DNA extraídos do esperma de salmão, ganhou força em produtos de skincare da chamada K-beauty

PDRN: ativo já aparece em séruns, máscaras faciais e cremes (ChatGPT/Reprodução)

PDRN: ativo já aparece em séruns, máscaras faciais e cremes (ChatGPT/Reprodução)

Júlia Storch
Júlia Storch

Repórter de Casual

Publicado em 17 de maio de 2026 às 12h39.

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Quatro letras passaram a dominar o mercado global de cuidados com a pele nos últimos meses: PDRN. O ingrediente, derivado de fragmentos de DNA extraídos do esperma de salmão, ganhou força em produtos de skincare da chamada K-beauty, beleza coreana, e já aparece em séruns, máscaras faciais e cremes.

A popularização do ativo acompanha o avanço da chamada beleza regenerativa, categoria que reúne produtos e tratamentos que prometem estimular mecanismos naturais da pele ligados à juventude e produção de colágeno. Celebridades como Kim Kardashian e Jennifer Aniston já citaram publicamente o uso do ingrediente, enquanto vídeos no TikTok associam o PDRN ao efeito de glass skin, pele extremamente luminosa e uniforme.

Embora o ingrediente tenha viralizado recentemente nas redes sociais, o PDRN não é exatamente novo. Segundo a Women’s Health, ele vem sendo estudado há décadas na medicina regenerativa, principalmente em tratamentos de cicatrização e reparação de tecidos. Inicialmente, o composto era utilizado em aplicações injetáveis próximas a feridas crônicas, como úlceras diabéticas.

De acordo com a dermatologista Mona Gohara, entrevistada pela Allure, há uso clínico “confiável” do PDRN em contextos médicos ligados à cicatrização. A lógica por trás do ingrediente está na ativação de receptores celulares relacionados à produção de colágeno, proteína responsável pela firmeza e elasticidade da pele.

Na Coreia do Sul, o PDRN se consolidou principalmente em procedimentos injetáveis conhecidos como skin boosters, tratamentos voltados à regeneração e melhora da textura da pele. Segundo a esteticista Erica Choi, ouvida pela Women’s Health, o ingrediente costuma ser aplicado diretamente na derme para estimular elasticidade e qualidade geral da pele.

Nos Estados Unidos, porém, o cenário é diferente. O PDRN não é aprovado pela FDA, agência reguladora americana, para aplicações injetáveis estéticas. Isso abriu espaço para uma nova frente comercial: produtos tópicos vendidos em frascos e potes, além de tratamentos faciais realizados em clínicas e medspas.

Apesar do entusiasmo do mercado, especialistas afirmam que as evidências científicas sobre a eficácia cosmética do ingrediente ainda são limitadas. “O marketing está avançando mais rápido do que a ciência”, afirmou à Allure a dermatologista Melissa Levin.

Segundo químicos e dermatologistas entrevistados pelos dois veículos, existe uma diferença importante entre os resultados observados em laboratório e a eficácia real em cosméticos de uso diário. Um dos principais questionamentos envolve o tamanho molecular do PDRN. Como os fragmentos de DNA são considerados grandes demais para penetrar profundamente na pele, especialistas colocam em dúvida sua capacidade de alcançar as camadas onde ocorre a produção de colágeno.

Além disso, o ingrediente é descrito como instável e difícil de formular. A química cosmética Marisal Mou afirmou à Allure que o PDRN é “extremamente frágil”, podendo oxidar facilmente durante o armazenamento e o processo de fabricação.

Ainda assim, marcas continuam apostando no ingrediente como símbolo da nova geração de cosméticos ligados à longevidade e regeneração celular. Para especialistas ouvidos pela Allure, o apelo do PDRN está menos na comprovação científica atual e mais na força narrativa criada em torno de um ingrediente considerado inusitado e futurista.

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