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Contagem de 'macros' vira tendência no fitness; entenda o que é

Monitoramento de nutrientes cresce com foco em dieta e treino, mas existem limites saudáveis para a prática

Contagem de macros: entenda o que é a nova tendência do mundo fitness

Contagem de macros: entenda o que é a nova tendência do mundo fitness

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 21 de fevereiro de 2026 às 13h25.

Última atualização em 21 de fevereiro de 2026 às 18h06.

Ter mais saúde é uma das metas mais comuns entre os brasileiros para 2026: 67% querem praticar mais exercícios e 64% pretendem melhorar a alimentação e seguir uma dieta, segundo levantamento da Toluna.

Em meio a essa busca por hábitos mais saudáveis, o monitoramento de macronutrientes ganhou força como uma nova tendência no mundo fitness. A prática, antes restrita a fisiculturistas e atletas de alto rendimento, agora faz parte do dia a dia até de alunos iniciantes em academias, segundo uma reportagem da Vogue.

O que são os macronutrientes?

De forma resumida, os chamados "macros" são os macronutrientes essenciais para o funcionamento do organismo. Eles se dividem em três grupos:

  • das proteínas, que ajudam na construção e reparo de músculos e na produção hormonal;
  • dos carboidratos, a principal fonte de energia;
  • e das gorduras, que ajudam a regular os hormônios.

Diferentemente da contagem de calorias, que se concentra apenas no volume energético ingerido, o rastreamento de macronutrientes busca distribuir a ingestão diária em proporções específicas desses nutrientes.

Para isso, os praticantes recorrem a calculadoras específicas, que estimam as necessidades diárias com base em dados como idade, peso, altura e nível de atividade física. As proporções variam conforme o objetivo — como ganhar massa muscular, perder gordura ou melhorar o desempenho.

Faz bem contar os macronutrientes?

À Vogue, a nutricionista Emily English afirma que a prática pode ser um ponto de partida para recurso inicial para entender mais sobre como os alimentos nutrem o corpo, mas não deve ser tratado como objetivo final. "Como a maioria das abordagens em nutrição, está em uma área cinzenta. Para algumas pessoas, funciona; para outras, pode ser excessivo", afirma.

Bianca Wise, instrutora de pilates no ALO Wellness Club, diz que a estratégia tende a ser mais eficaz no curto prazo, quando associada a metas específicas de treino ou a demandas clínicas. "Pode ajudar as pessoas a identificarem se estão se alimentando com pouca energia, se têm deficiência de proteína ou se estão, sem querer, deixando de consumir nutrientes essenciais — tudo isso pode afetar os hormônios, a energia e a recuperação", pontua.

É possível fazer essa contagem com precisão?

De acordo com as especialistas, é bem difícil. Isso porque o registro dos macronutrientes depende de estimativas de porção e de dados de rótulos que variam conforme o produto e o preparo dos alimentos. Para English, "os números devem ser vistos como um guia, e não como uma verdade absoluta".

Existem desvantagens em contar os macros?

É preciso tomar cuidado com o controle rigoroso, dizem as especialistas ouvidas pela Vogue. Rachel Butcher, chefe de nutrição da rede Third Space, destaca que o foco excessivo em números pode distorcer a relação com a comida e gerar ansiedade. "Você pode se concentrar demais nos números em vez da qualidade dos alimentos ou dos sinais de fome", pontua.

"O controle de macronutrientes não significa automaticamente que uma dieta seja nutritiva – alguém pode atingir sua meta de macronutrientes e ainda apresentar deficiência em nutrientes essenciais como fibras, magnésio, ômega-3 e polifenóis", continua.

English acrescenta que o corpo não responde como uma equação matemática. "Fome, hormônios , sono e estresse afetam nossas necessidades de maneiras diferentes – também acho que o debate entre dietas ricas e pobres em carboidratos é frequentemente exagerado", diz.

Afinal, vale a pena contar os macros?

Segundo as especialistas, sim — desde que seja para uma fase de aprendizado sobre os alimentos e não se torne um hábito prejudicial para a saúde mental. "Normalmente, não vejo o controle rigoroso de macronutrientes como um estilo de vida a longo prazo para a maioria das pessoas", diz English.

"Se uma estratégia nutricional aumenta o estresse, dificulta as refeições em grupo ou exige atenção constante, geralmente não é sustentável – independentemente de quão eficaz possa ser a curto prazo", acrescenta a nutricionista, que reitera a importância da flexibilidade nesses momentos. "A nutrição deve apoiar a vida real, e não limitá-la", conclui.

A principal recomendação, por fim, é: antes de iniciar a contagem de macros por conta própria, é indicado consultar um profissional da área — médico, nutrólogo ou nutricionista — para definir quantidades adequadas para perfil e às suas condições de saúde.

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