KAI Prevention Center: aposta no conforto e tecnologia (André Klotz/Divulgação)
Repórter de Casual
Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 17h02.
Luz amarela, pedras brasileiras nas mesas, balcão de café, móveis assinados, assinatura olfativa e um concierge que te acompanha entre os ambientes. Esta poderia ser a descrição de qualquer hotel de luxo, mas trata-se de uma clínica de medicina preventiva, o KAI Prevention Center, em São Paulo.
Com vista para o parque Ibirapuera, a clínica não surgiu de um plano de negócios, mas de uma inquietação recorrente na rotina médica de Augusto Romão. Radiologista há quase duas décadas, ele se acostumou a ver pacientes descobrirem doenças graves tarde demais — mesmo após anos fazendo check-ups tradicionais.
Foi a partir dessa contradição que nasceu o KAI, com a proposta de simplificar o moroso e desagradável exames clínicos como ressonância magnética, tomografia e ultrassons. “Imagine entrar em uma máquina e sair do outro lado e saber tudo o que você tem, esse é o conceito base do KAI”, diz Romão.
O centro foi criado para operar fora da lógica tradicional do check-up. Em até duas horas, o cliente passa por um protocolo integrado que reúne ressonância magnética, tomografia computadorizada, ecocardiograma e, no caso das mulheres, mamografia. A combinação permite avaliar cerca de 100 patologias, muitas delas ainda em fase silenciosa. “Não é um exame superficial. É uma investigação completa do corpo”, diz o médico.
O modelo atende um público disposto a tratar saúde como investimento. O ticket médio é de R$ 19,9 mil, com projeção de faturamento anual de R$ 50 milhões por unidade. A operação é limitada com atendimento de até oito clientes por dia. “O tempo é um ativo fundamental. Duas horas por ano para saber como você está de verdade não é nada”, diz Romão.
A tecnologia é o eixo central do negócio. Alguns dos equipamentos usados são inéditos no Brasil, como o mamógrafo voltado as mulheres com mamas densas e o tomógrafo de dupla energia, que permite exames cardíacos com baixíssima dose de radiação e sem a necessidade de reduzir drasticamente a frequência cardíaca do paciente. “Antes, uma angiotomografia coronariana exigia horas de preparo e muita medicação. Hoje, conseguimos fazer com segurança e qualidade em um cenário preventivo”, explica.
Dr. Augusto Romão: investimento em saúde preventiva (André Klotz/Divulgação)
A ressonância magnética também foi redesenhada. Com softwares de aceleração e uso intensivo de inteligência artificial, um exame que antes levaria até dez horas foi reduzido para cerca de uma hora, mantendo a qualidade de imagem. “A IA não substitui o radiologista, mas virou uma ferramenta fundamental. Ela mudou completamente o jogo”, diz Romão, que mantém parceria com centros de desenvolvimento da Siemens na Alemanha.
Além da precisão diagnóstica, o KAI apostou em algo raro no setor: o conforto. A arquitetura assinada por Nildo José foi pensada para não parecer uma clínica. Há luz natural, paisagismo interno e ausência de referências hospitalares. “A missão era clara: o cliente entra e desconecta. Não pode ter cara de hospital, cheiro de hospital, sensação de doença”.
Nas salas de exame, o cuidado continua. Durante a ressonância magnética, por exemplo, o cliente pode assistir a filmes ou séries, o que ajuda a reduzir ansiedade e claustrofobia. Todos os serviços de streamings estão disponíveis. “Eu mesmo sou claustrofóbico. Fiz três vezes o exame com o método imersivo e a diferença é absurda”, diz.
O acompanhamento segue após os exames. Um aplicativo próprio concentra resultados, imagens reais do corpo, explicações acessíveis e histórico integrado — inclusive de exames feitos fora do centro. “A gente quer evitar aquele cenário onde o cliente recebe um laudo técnico, joga no Google ou no ChatGPT e entra em pânico”, afirma. Cada achado vem contextualizado, com explicações visuais e orientações claras.
Nos casos mais sensíveis, como suspeitas oncológicas, o processo é ainda mais cuidadoso. O laudo não é liberado automaticamente. Antes, o time do KAI entra em contato com o médico do cliente — ou ajuda a indicar um especialista, se necessário. “Não faz sentido comunicar algo grave sem alinhamento. O médico é soberano, e a prevenção não pode virar um susto”, diz Romão.