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Brasil vira top 8 da música global com avanço puxado por streaming

Crescimento de 14% supera média mundial e expõe novos desafios do setor

Música brasileira avança no mundo: país já é o 8º maior mercado global (Thinkstock/Thinkstock)

Música brasileira avança no mundo: país já é o 8º maior mercado global (Thinkstock/Thinkstock)

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 24 de março de 2026 às 11h41.

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O Brasil está avançando no mercado global de música e passou a ocupar a 8ª posição no ranking da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI). As informações foram divulgadas pela Billboard.

Segundo o relatório, em 2025, o mercado fonográfico brasileiro movimentou R$ 3,958 bilhões — um salto de 14,1% em relação ao ano anterior, segundo a Pro-Música Brasil.

No mesmo período, o crescimento global foi de 6,4%. O desempenho coloca o país em linha com a América Latina, que liderou a expansão do setor no mundo.

Essa alta foi puxada, sobretudo, pelo streaming. As plataformas digitais responderam por cerca de R$ 3,4 bilhões em receitas, com alta de 13,2% no ano, um reflexo do aumento da base de assinantes e da consolidação do modelo como principal forma de consumo de música.

Mesmo com participação pequena, o mercado físico também cresceu. Representando menos de 1% do total, teve alta de 25,6%, puxado principalmente pelo vinil.

O relatório também destaca o papel das gravadoras no desenho atual da indústria, com parcerias sendo centrais para viabilizar lançamentos e monetização.

Para Paulo Rosa, presidente da Pro-Música Brasil, há um fator que diferencia o país dentro da América Latina: o idioma. "Somos todos latinos, mas não se pode ignorar que a música é cantada em espanhol no restante da região, com mais possibilidades de circulação entre países. No caso do Brasil, em português, isso não é tão imediato", afirma no relatório.

Segundo ele, essa barreira também impacta o acesso ao mercado latino nos Estados Unidos, onde conteúdos em espanhol tendem a ganhar mais espaço. Ainda assim, o executivo ressalta a força interna do país.

"O mercado brasileiro é, há muito tempo, o maior da região e tem um consumo historicamente concentrado em música nacional, produzida e consumida aqui", diz.

O avanço do setor, no entanto, vem acompanhado de novos desafios. Entre as principais preocupações estão o uso de músicas para treinar sistemas de inteligência artificial (IA) sem autorização e a manipulação de reproduções por meio de bots.

"Essas práticas distorcem o pagamento de direitos e criam uma espécie de mercado paralelo do streaming", diz Rosa. Segundo ele, ações recentes já derrubaram mais de 130 sites ligados a fraudes, sendo 60 apenas em 2025.

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