Museus pelo mundo: Brasil tem quatro instituições entre as mais visitadas do globo (Divulgação/Divulgação)
Repórter de Casual
Publicado em 9 de abril de 2026 às 17h14.
O Brasil emplacou quatro instituições entre os 100 museus de arte mais visitados do mundo em 2025, de acordo com o ranking anual da publicação britânica The Art Newspaper.
O Museu de Arte de São Paulo (Masp) lidera a representação nacional na 64ª posição, seguido pelas unidades do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) no Rio de Janeiro (67ª) e Belo Horizonte (69ª), além da Pinacoteca de São Paulo, que ocupa o 94º lugar.
O levantamento aponta que o Masp foi o caso mais expressivo de crescimento no país. Dobrou o público para 1,2 milhão de visitantes após a inauguração da nova expansão e do sucesso de público da mostra de Claude Monet.
A performance brasileira ocorre em um cenário global de recuperação gradual, onde as 100 maiores instituições somaram 200 milhões de visitas, mas ainda enfrentam dificuldades para atingir os patamares pré-pandemia. O topo da lista permanece com o Louvre, em Paris, que registrou 9 milhões de visitantes mesmo sob críticas sobre a superlotação das salas.
Logo atrás aparecem os Museus do Vaticano e o Museu Nacional da Coreia, em Seul, que se consolidou como um dos novos polos de atração do circuito asiático com um crescimento superior a 70% no último ano.
No Brasil, o sucesso das unidades do CCBB foi impulsionado pela itinerância de grandes exposições, como a mostra "Fullgás", dedicada à arte brasileira dos anos 1980.
O CCBB-RJ recebeu 1,14 milhão de pessoas, enquanto a unidade mineira registrou 1,12 milhão. Já a Pinacoteca manteve a base de público fiel com 820 mil visitantes, com foco no acervo histórico que atravessa do século XIX à modernidade. Na América do Sul, o domínio brasileiro é quase absoluto, tendo apenas o Museu Nacional de Belas Artes de Buenos Aires como outro representante do continente na lista.
O ranking de 2025 também revela um dilema estratégico para os grandes museus europeus: o limite entre o sucesso de bilheteria e a saturação da experiência. Enquanto o Museu do Prado, em Madrid, celebrou o recorde de 3,5 milhões de visitantes, a diretoria manifestou preocupação com o risco de colapso logístico. O receio é que o excesso de público transforme as galerias em espaços desconfortáveis e prejudique a contemplação das obras e a segurança dos acervos — um problema que já afeta a operação do Louvre.
Em contraste com a cautela europeia, a Ásia demonstra um vigor renovado. Museus na Coreia do Sul e na China estão capturando o público internacional com infraestruturas de ponta e investimentos massivos em novas sedes, como o Shanghai Museum East.
O movimento de descentralização do eixo tradicional das artes coloca em xeque a hegemonia de instituições londrinas como a Tate Modern, que ainda sofre com a queda no turismo internacional pós-Brexit e tenta encontrar novas formas de atrair visitantes.
Para as instituições brasileiras, figurar neste mapa mundial é uma validação da estratégia de unir prédios icônicos a programações de apelo popular. O Masp, com a nova estrutura física, e a Pinacoteca, com a curadoria de arte brasileira, provam que há espaço para crescer sem perder a identidade cultural.
O desafio agora é sustentar esse fluxo de visitantes nos próximos anos, para aproveitar o bom momento do turismo cultural interno e o crescente interesse internacional pela arte produzida no Hemisfério Sul.