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Tripés e gelo: a proposta da The Simple Gym para reinventar a academia

A aposta combina com uma operação pensada em um novo modelo de academias, voltado ao gosto da geração Z

Gustavo e Gabriel Rodrigues, da The Simple Gym: empresa combina com uma operação pensada em um novo modelo de academias, voltado ao gosto da geração Z (Matheus Ramos/Divulgação)

Gustavo e Gabriel Rodrigues, da The Simple Gym: empresa combina com uma operação pensada em um novo modelo de academias, voltado ao gosto da geração Z (Matheus Ramos/Divulgação)

Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 13h53.

Última atualização em 9 de janeiro de 2026 às 10h44.

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Em um setor em que filmar treinos em academias costuma ser proibido, a carioca The Simple Gym decidiu fazer o oposto ao disponibilizar tripés para os alunos gravarem seus exercícios na academia. A aposta combina com uma operação pensada em um novo modelo de academias, voltado ao gosto da geração Z, com estética minimalista, ambiente claro, playlists musicais selecionadas, lounges e uma área de recuperação com saunas e banheiras de gelo.

Também entram no cardápio de exercícios a musculação, o pilates e treinos de alta intensidade com a Academia Foguete, comandada por Ricardo Lapa.

A ideia surgiu quando os irmãos Gustavo e Gabriel Rodrigues resolveram trocar de carreiras por um projeto próprio. Eles mergulharam em referências e consumo, principalmente no pós-pandemia, com o crescimento da demanda por bem-estar.

“No Brasil a gente via muito [a academia voltada ao] gatilho do estético, mas lá fora, as academias se voltam à questão do exercício físico, ao cuidado com a saúde mental e à vida em comunidade”, diz Gabriel. A primeira unidade, em Botafogo, no Rio de Janeiro, foi inaugurada em 2024.

Mesmo com apenas três unidades na capital carioca, a The Simple Gym se posicionou no espaço entre as grandes redes de volume e as academias high-end.

The Simple Gym: sala de pilates com metodologia proprietária (Simple Gym/Divulgação)

“A partir do momento que a gente decidiu não seguir um modelo de franquia e construir a marca própria, olhamos para o mercado brasileiro e vimos um gap de mercado muito grande”, diz Gustavo. A proposta é capturar esse “universo azul” com o que ele considera uma “experiência de muita excelência a um preço super justo.”As mensalidades variam de 167 reais a 567 reais, dependendo da unidade e plano selecionado.

O produto foi organizado em “pilares” que estruturam o valor do plano e a rotina do aluno: strength (musculação e cardio), power (um check-up mensal com tecnologia de avaliação), balance (pilates com metodologia própria, incluindo a aula Mind), energy (HIIT e outras modalidades intensas) e recovery (gelo, saunas e equipamentos de liberação muscular).

“A gente entende a complexidade da rotina e o nosso objetivo é realmente simplificar no local onde tem todo tipo de entrega”, diz Gustavo. Segundo ele, “os nossos planos permitem que os clientes passem por todos os pilares no decorrer de sua semana”.

“Antigamente as academias vendiam apenas treinos de força, para ficar forte. O ambiente tinha som alto, para você acabar o treinamento e ir embora. As grandes redes, arrisco a dizer, que ganham muito mais na ineficiência, ao matricular muito mais pessoas do que a academia suporta, sabendo que muitos acabam não frequentando. A gente não quer isso, queremos que o aluno venha para cá e fique aqui dentro, faça reuniões, lanche, faça um recovery, escute uma música, faça amizades e networking aqui dentro”, diz Ricardo Lapa, sócio da academia e fundador da Academia Foguete.

Uma academia dentro da outra

Ricardo Lapa, fundador da Academia do Foguete (divulgação/Divulgação)

A alta intensidade também ganhou escala na The Simple Gym com Lapa e a Academia Foguete — hub digital com aulas ao vivo para mais de 70 países, em três idiomas. Na The Simple Gym, as aulas da Foguete têm horário marcado. A academia é o único espaço físico da Foguete, para os alunos que preferem treinar fora de casa. No entanto, a aula funciona em modelo híbrido, com alunos online acompanhando os exercícios remotamente.

Há dez anos, as aulas aconteciam de forma bem simples, via WhatsApp, com vídeos e correções enviadas para os alunos. “Eu mandava os vídeos dos exercícios e pedia para que os alunos me enviassem de volta os vídeos dos treinos, para corrigir as execuções”, diz.

O trabalho foi crescendo naturalmente, e com ele o número de alunos. Logo, os seguidores no Instagram começaram a perguntar por mais treinos, e as mensagens não paravam de chegar. Com alunos de diferentes fusos horários, como Japão e Cingapura, Lapa passou a se dedicar integralmente ao atendimento online, muitas vezes virando a noite para responder todos.

Foi em 2018, longe da pandemia, que surgiu a ideia de criar uma plataforma para centralizar os treinos. A proposta inicial foi simples: aumentar a capacidade de atender os alunos online, oferecendo aulas gravadas para atender à crescente demanda. Lapa lançou seus primeiros materiais de treino através da Hotmart, com três níveis de intensidade, atendendo desde iniciantes até os mais avançados. O nome “Academia Foguete” nasceu ali, com um modelo de aulas ao vivo em estúdio com telão e professores interagindo com os alunos em tempo real.

“Hoje, [a Academia Foguete] é a maior operação de aula ao vivo digital do mundo. A gente está presente em 70 países com quase 50 mil alunos ativos e 24 horas de transmissão de aulas, de domingo a domingo. As turmas costumam ter entre 200 e 2 mil pessoas”, diz Lapa.

The Simple Gym: academia pretende terminar o ano com 10 unidades (Simple Gym/Divulgação)

Conteúdo como estratégia

Além das aulas online da Academia Foguete, a estratégia digital se expande para dentro da academia. Os tripés disponíveis em um canto da academia, assim como os halteres e anilhas, funciona como estratégia de distribuição. “Ao invés de proibir, a gente colocou tripés para o aluno promover o bem-estar para a sua própria comunidade”, diz Gustavo.

Em uma estratégia maior, os irmãos convidaram a empresária e influenciadora Manuela Cit para ingressar na sociedade da academia.

Com 22 anos e 1,6 milhão de seguidores no Instagram, Cit compartilha diariamente há alguns anos sua rotina de exercícios físicos. Com diversos contratos de publicidade, incluindo Fila e BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), o portfólio de Cit inclui uma marca de gomas de creatina, uma empresa de corridas de rua e a sociedade na The Simple Gym, onde costuma gravar e compartilhar seus exercícios.

“A The Simple Gym é tudo o que acredito: um espaço que prioriza bons hábitos, recuperação e qualidade de vida. É o lugar perfeito para transformar vidas”, diz Manu. Para ela, a operação traduz a lógica da creator economy para o serviço físico. “Criar conteúdo já é empreender. Eu não sou cientista, eu não faço gestão, mas sou um bônus”.

Manu Cit, da The Simple Gym: “A academia virou espaço de socialização para a geração Z” (Thiago Dezan//Divulgação)

Desde 2023, Manu é também sócia da Guday, marca de suplementos de creatina em goma, que começou com um investimento de 30 mil reais. O foco do produto está na praticidade e no sabor, tornando o consumo de creatina mais acessível e atrativo para o público. “Criar uma marca própria é diferente. Quando você coloca seu rosto em algo, a responsabilidade é muito maior. É preciso entregar qualidade e ser fiel ao que você acredita, porque as pessoas vão cobrar isso”, diz a influenciadora.

Com três unidades abertas, uma em construção e mais duas assinadas, a The Simple Gym projeta terminar 2026 com 10 unidades e chegar a 100 pelo Brasil em cinco anos, com São Paulo no radar neste ano. “A gente vai dominar esse Brasil não em quantidade, mas em qualidade”, diz Lapa.

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