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Os novos artistas brasileiros para ficar de olho no mercado de arte

Com premiações em alta, vendas recordes no exterior e obras integrando acervos internacionais, novos nomes da arte contemporânea ditam as regras do mercado

Da praia à galeria: retalhos de lycra descartados viram obras de arte nas mãos de Dani Cavalier (Rafael Salim Estudio/Divulgação)

Da praia à galeria: retalhos de lycra descartados viram obras de arte nas mãos de Dani Cavalier (Rafael Salim Estudio/Divulgação)

Daniel Salles
Daniel Salles

Repórter

Publicado em 28 de junho de 2026 às 08h25.

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O mercado de arte contemporânea brasileiro vive um momento de efervescência e forte valorização institucional. A nova safra de artistas nacionais tem ditado o ritmo das principais feiras de negócios do mundo, e já atrai os olhares de grandes mecenas e conselhos de aquisição de museus internacionais de primeira linha.

Com o apoio de galerias nacionais que consolidam a expansão internacional, esses novos profissionais reinventam suportes — que vão da fotografia analógica e o garimpo têxtil industrial à inteligência artificial — para contar novas histórias sobre o corpo, a paisagem urbana e a ancestralidade.

Abaixo, selecionamos seis nomes em ascensão que você precisa manter no radar e acompanhar de perto nos pavilhões e galerias. Confira:

Gabriel Branco

Nascido há 29 anos em São Mateus, zona leste paulistana, trabalha principalmente com fotografia analógica e pintura, explorando temas associados à vivência urbana nas periferias da cidade. Aproximou-se da pintura ao trabalhar como assistente de uma referência no assunto, o paulistano Paulo Monteiro. Branco é representado pela Galatea, com unidades em São Paulo e Salvador. Neste ano, a galeria estreou na ARCOmadrid com um estande só de obras dele. Na SP-Arte deste ano, ele venceu o Sauer Art Prize, que reconhece artistas promissores da cena contemporânea.

Dani Cavalier

Por meio de desenhos, pinturas, instalações e esculturas, a carioca de 33 anos explora temas relacionados ao corpo, à espiritualidade e à história do poder e da marginalização das mulheres. Nos últimos três anos, produziu o que apelidou de “pinturas sólidas”. São telas que ela manipula não com tintas, mas com retalhos coloridos de lycra que saem de fábricas têxteis do Rio de Janeiro especializadas em vestimentas de praia. O resultado? Obras que chamam atenção pelas justaposições dos tecidos, que formam novas tramas envolventes. É mais um nome representado pela Galatea.

Adriel Visoto

Na última edição da Art Basel Miami Beach, foi um dos destaques de vendas entre os artistas em ascensão. Nascido em Brazópolis, Minas Gerais, há 39 anos, o pintor é formado em artes plásticas pela Escola Guignard da UEMG, além de mestre em artes visuais pela Unicamp. Seus trabalhos mais recentes registram experiências triviais e rituais cotidianos, vivenciados sobretudo no espaço doméstico. Representado pela Verve, situada em São Paulo, tem obras no acervo permanente do Masp e do Museu de Arte do Rio (MAR).

Luana Vitra

Mineira de Contagem, está com 31 anos. Suas obras são produzidas com materiais diversos, como pedra de minério de ferro, quartzo azul, tecido e miçangas de vidro. Na 35a Bienal de São Paulo, em 2023, apresentou a instalação “Pulmão da Mina”, inspirada no hábito que pessoas escravizadas tinham de levar canários para o trabalho em minas de ouro. As aves serviam de alerta para a presença de gases tóxicos emanados pela extração mineral, aos quais não resistiam imediatamente. A galeria de Vitra é a Mitre, outra de São Paulo.

Tadáskía

No catálogo da Fortes D’Aloia & Gabriel, a carioca de 33 anos entrou para o acervo do MoMa em 2024. Suas obras também integram as coleções do Instituto Inhotim, do Museu de Arte do Rio, da Pinacoteca do Estado de São Paulo, do Masp, do Guggenheim, em Nova York, e da Tate, em Londres. Na 35a Bienal de São Paulo, Tadáskía expôs três esculturas feitas de bambu, palha e taboa, entre outros trabalhos chamativos. Ela também trabalha com desenho, fotografia e tecido, criando paisagens imaginadas e místicas.

Mayara Ferrão

Nascida em Salvador há 33 anos, ela venceu o Sauer Art Prize na SP-Arte de 2025. No mesmo ano, realizou sua primeira exposição individual, “O primeiro rastro foi água”, na Galeria Verve, que a representa. Em 2024, participou de residência artística no Pivô Arte e Pesquisa de Salvador. Formada em artes visuais pela UFBA, ela recorre à fotografia, à ilustração, à pintura, ao vídeo e até à inteligência artificial para criar narrativas protagonizadas por corpos negros, originários e dissidentes. Uma de suas obras foi adquirida pelo MoMA.

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