Este é o curso mais popular de Harvard. E está disponível de graça

A aula ficou famosa entre alunos de todas as áreas e já recebeu convidados como Mark Zuckerberg, ex-aluno de Harvard e criador do Facebook

Para adivinhar qual a aula mais popular de Harvard, é possível recorrer a algumas dicas. Ela já reuniu mais de 88 alunos numa só turma, foi lançada em 1989 e é ministrada pelo professor David Malan (também um dos mais queridos da universidade). Trata-se do CS50, curso introdutório de Harvard à Ciência da Computação, que já se consolidou como a aula mais popular de Harvard.

De início, o CS50 atraiu os olhares de quem chegava à universidade interessado na área, fosse como major ou minor. Mas quando Malan assumiu o comando, a matéria ascendeu a outro nível, atraindo alunos de outros cursos e que não tinham base nenhuma de computação.

De 2006 para 2007, ano em que ele assumiu o posto, o número de inscritos duplicou. Para ter uma ideia, menos de um quarto dos alunos que se matriculam têm algum background na área. E, atualmente, você pode cursá-la online e de graça. Mas o que faz com que tanta gente nutra interesse por um tema considerado árido?

Computação para todos

A resposta tem a ver com a forma como o CS50 é apresentado pelo professor — ou, melhor dizendo, pela equipe por trás da matéria. Com um time de profissionais que chega às dezenas, o curso conta não só com as aulas de Malan, mas com uma estrutura mais complexa, que inclui videoaulas e materiais complementares.

“Funciona como um escritório, como uma empresa”, explica Gabriel Guimarães, que chegou a comandar uma equipe de teaching fellows e assistentes de curso do CS50. O brasileiro traduziu os materiais e aulas do curso para o português, durante o Ensino Médio, e embarcou para a graduação em Harvard. Hoje, empreende na área, depois de se formar em Ciência da Computação.

Essa riqueza de materiais é um dos motivos que levaram o brasileiro Pedro Farias, que estuda em Harvard, a considerá-la uma de suas matérias favoritas. Nas palavras dele, a aula “é uma festa, uma aula que tem muitos recursos e parcerias com várias empresas de tecnologia como Google e Facebook, então isso traz muitas oportunidades para os alunos que fazem a aula”. Depois de cursá-la, Pedro também foi “teaching fellow” (algo como um monitor) da disciplina.

Qual é o formato da CS50, a aula mais popular de Harvard

Para transformar um tema árido em um assunto fácil de absorver, a aula comandada por Malan apresenta analogias e formas alternativas de pensar a programação. Para explicar números binários, por exemplo, Malan já recorreu a uma sequência de lâmpadas que ora estavam acesas, ora apagadas (representando o número zero e o um), como você pode ver na imagem do começo desse texto.

A cada aula, os alunos precisam realizar uma série de exercícios sobre o tema aprendido, e têm acesso ao material-padrão e à versão “hacker” da atividade, para quem deseja resolver problemas mais avançados. Como sintetiza a definição do curso no site oficial, o CS50 é “exigente, mas definitivamente possível de ser feito”, e ensina os alunos a pensar em termos de algoritmo, linguagens de programação e a “resolver problemas de forma eficiente”.

Durante as 11 semanas de curso, as aulas giram em torno de temas como programação em C (logo nos primeiros momentos do curso), algoritmos, Python e JavaScript. O curso não se aprofunda em nenhuma linguagem, mas sim nos fundamentos que baseiam todas elas — se o estudante quiser, ele pode recorrer a materiais de apoio para entender mais de cada uma. E não é só o expert David Malan que comanda a turma, mas também convidados especiais, como Mark Zuckerberg, ex-aluno de Harvard e criador do Facebook.

O CS50 também foi transposto para o formato online, com aulas gratuitas em plataformas como o edX e o Youtube. Em média, os estudantes precisam dedicar 12 horas por semana para dar conta dos períodos em aula — em plataformas online ou ao vivo — e das tarefas de casa. Para conseguir o certificado, basta dar conta das nove tarefas necessárias e realizar um projeto final, além de pagar uma taxa de 90 dólares (cobrada apenas para emissão do diploma).

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Este artigo foi originalmente publicado pelo Estudar Fora, portal da Fundação Estudar.

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