Maria Silvia Monteiro Costa, diretora do SEER, Programa Avançado para CEOs, Conselheiros e Acionistas da Saint Paul Escola de Negócios
Redatora
Publicado em 17 de julho de 2026 às 17h25.
Tomar uma decisão estratégica no Brasil raramente segue uma lógica linear. É essa a tese que Maria Silvia Monteiro Costa leva para a direção do SEER, Programa Avançado para CEOs, Conselheiros e Acionistas da Saint Paul Escola de Negócios, cargo que assume dando sequência ao trabalho conduzido pela professora Alexandra Olivares.
Executiva com mais de duas décadas de atuação em comunicação, reputação e desenvolvimento de lideranças, com passagens por instituições como Santander e BankBoston, Maria Silvia também lidera desde 2022 o Comitê de Mentoria da Exame | Saint Paul. Para ela, decidir bem em um país como o Brasil exige uma competência que vai além do método.
"Tomar decisão no Brasil exige mais do que método, dados e capacidade analítica. Exige repertório local", diz.
Segundo Maria Silvia, o país reúne, ao mesmo tempo, instituições modernas, empresas globais e tecnologia avançada convivendo com informalidade, desigualdades profundas e instabilidade regulatória. Nesse cenário, o que funciona em mercados mais previsíveis costuma exigir adaptação por aqui.
A leitora precisa, segundo ela, enxergar o ambiente como um sistema aberto, no qual variáveis econômicas, políticas, sociais e culturais se influenciam o tempo todo. "Decidir bem nesse contexto é saber ler o mapa formal e também o território real", diz.
Essa leitura passa também pela cultura. Para a diretora, a capacidade brasileira de convivência, criatividade e reinvenção pode virar ativo estratégico quando combinada a disciplina e clareza de direção, mas exige cuidado: "o improviso pode virar inovação, mas também pode virar relativização de regras", diz.
Nenhuma decisão, defende Maria Silvia, é puramente racional, nem mesmo em ambientes técnicos. Emoções, medo, aversão à perda e excesso de confiança atravessam escolhas estratégicas, e a ambiguidade do contexto brasileiro tende a intensificar esses vieses.
O trabalho do SEER, nesse sentido, é ampliar a consciência do líder sobre os próprios atalhos mentais. "Decidir melhor não é eliminar a subjetividade, mas reconhecê-la e integrá-la com dados, escuta e visão sistêmica", diz.
Essa lente também vale para decisões colegiadas. Em conselhos e comitês executivos, um grupo pode confirmar apenas o que já acredita ou supervalorizar a opinião de uma autoridade. Para a diretora, decidir melhor em colegiado exige diversidade real de pensamento e a capacidade de separar argumento, posição e interesse.
A inteligência artificial muda a forma como líderes acessam informação, simulam cenários e analisam dados, mas não elimina a responsabilidade humana pela escolha final, na visão de Maria Silvia. Pelo contrário: torna essa responsabilidade ainda mais relevante.
O futuro da decisão, segundo ela, será híbrido: dados, algoritmos, sensibilidade humana, consciência cultural e responsabilidade sobre os impactos caminhando juntos, sem que um elimine o outro.
Ao assumir a direção do programa, que tem carga horária de 124 horas e reúne CEOs, conselheiros e acionistas em encontros mensais, Maria Silvia projeta consolidar a comunidade formada pelo SEER para além da rede de relacionamentos. "Quero manter vivos os aprendizados dessa jornada e consolidar uma liderança mais consciente, preparada e ancorada aos desafios do mundo contemporâneo", diz.
Para líderes em posições de alta responsabilidade, a proposta é tratar a decisão como um fenômeno vivo, e não como um exercício técnico isolado. Um repertório que, cada vez mais, separa quem apenas escolhe entre alternativas de quem de fato sustenta escolhas em cenários incertos.