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Redatora
Publicado em 11 de setembro de 2026 às 05h08.
Uma discussão no trabalho pode começar por um prazo, uma decisão ou uma entrega mal compreendida. Mas, quando as duas partes entram na conversa apenas para provar que estão certas, o conflito costuma escalar.
Essa lógica pode ser resumida ao afirmar que relações mais saudáveis não tratam o conflito como uma disputa com vencedor e perdedor, mas como uma oportunidade de entendimento. No trabalho, a aplicação é direta.
Imagine que um gestor diga que uma entrega ficou abaixo do esperado. A primeira reação pode ser explicar por que o prazo era curto, justificar as decisões tomadas ou apontar problemas em outras áreas.
Outra possibilidade é responder:
“Me ajude a entender quais pontos ficaram abaixo do que você esperava.”
A frase não resolve o problema sozinha. Mas ela produz uma mudança importante: em vez de responder imediatamente a uma interpretação, o profissional pede mais informação.
Esse tipo de abordagem sinaliza abertura e curiosidade, reduzindo a postura defensiva que costuma alimentar discussões.
“Me ajude a entender” pode soar vazia se for usada de maneira automática — o efeito aparece quando existe curiosidade real. Depois da frase inicial, vale aprofundar:
“O que exatamente preocupou você nessa entrega?”
“Qual parte da minha decisão você considera mais problemática?”
“O que você esperava que tivesse acontecido?”
“Que impacto isso gerou para a sua área?”
Essas perguntas diminuem a chance de responder a um problema que talvez nem seja o verdadeiro.
A lógica é semelhante à apresentada pelo Gottman Institute para conflitos interpessoais: procurar a necessidade que está por trás da posição inicial aumenta a possibilidade de construir uma solução conjunta.
Existe uma diferença entre reduzir conflito e fugir dele. Um profissional emocionalmente inteligente não precisa concordar com todas as críticas, aceitar decisões ruins ou abandonar sua posição para preservar o clima.
Em alguns casos, depois de entender melhor o argumento do outro lado, a conclusão continuará sendo: “Eu discordo.”
A diferença está na qualidade dessa discordância. Antes de responder, houve tentativa de compreender o raciocínio, o impacto e as preocupações envolvidas.
Poucas situações despertam tanta defensividade quanto uma crítica sobre desempenho. Se a avaliação atinge uma competência que o profissional considera um ponto forte, a tendência de rejeitar a mensagem pode ser ainda maior.
Nesse contexto, pedir ajuda para entender melhor cria tempo para separar reação emocional de análise.
Em vez de responder “não concordo”, por exemplo, o profissional pode perguntar quais comportamentos levaram àquela percepção. Isso transforma uma opinião genérica em informação mais específica.
Depois, ainda existe espaço para contestar, contextualizar ou explicar. Mas a resposta passa a ser construída com mais dados e menos impulso.
Muitas discussões profissionais não acontecem porque alguém “está errado”, mas porque pessoas diferentes estão tentando proteger prioridades diferentes.
Quando cada área interpreta a resistência da outra como incompetência ou falta de colaboração, o conflito cresce.
Perguntar “me ajude a entender por que esse ponto é tão importante para sua área” pode revelar as restrições que não estavam visíveis. É uma aplicação prática de empatia sem exigir concordância.
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